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segunda-feira, 20 de abril de 2026

Renato Júnior teve participação em empresa do setor de obras com contrato com a Prefeitura de Manaus, enquanto era secretário da Seminf

O prefeito Renato Frota Magalhães, conhecido como “Renato Júnior” (Avante), manteve uma empresa do setor de obras com contatos com a Prefeitura de Manaus, enquanto comandava a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf).

Em 2021, quando comandava Secretaria Municipal de Agricultura, Abastecimento, Centro e Comércio Informal (SEMACC), Renato Júnior estava vinculado à empresa RENATO FROTA MAGALHÃES HOTIFRUTI GRANJEIROS – EPP, voltada ao comércio de alimentos.

De acordo com documentos, Renato Júnior mantinha 49% de quotas da empresa OLIMAG LTDA, que atua em obras de urbanização e construção civil, que possue um contrato de R$ 119 milhões com dispensa de licitação com a Prefeitura de Manaus, para serviços de limpeza e dragagem de igarapés.

Para tentar esconder sua ligação com a OLIMAG LTDA, Renato Júnior deixou a sua sociedade na empresa, mas mantém uma participação como representante comercial da RAIREMA PARTICIPAÇÕES S/A, que integra o quadro societário da OLIMAG LTDA.

Na declaração de bens apresentada em 2025, Renato informou participações societárias, mas sem identificar nominalmente as empresas. Dados da Justiça Eleitoral indicam que o patrimônio declarado de Renato Junior passou de R$ 30 mil em 2018 para R$ 3,1 milhões em 2024, aumento superior a 10.000%.

O prefeito de Manaus Renato Júnior (Avante) teve o nome envolvido em um caso de estelionato após emitir um cheque sem fundos no valor de R$ 3 mil. O episódio ocorreu em 2012, quando o hoje político atuava como gerente comercial da empresa MegaFrutas, com sede na capital amazonense.

De acordo com o Inquérito Policial n.º 0005/2012 da Delegacia Especializada em Roubos, Furtos e Defraudações (DERFD), o cheque nº 850114, emitido pelo Banco Itaú, foi entregue à empresa AGK Comércio de Peças Ltda., como forma de pagamento por uma compra realizada em nome da MegaFrutas. Ao tentar descontar o valor, a empresa foi surpreendida com a devolução por “insuficiência de fundos”.

Indiciado por estelionato

O caso evoluiu para uma investigação formal e levou ao indiciamento de Renato Júnior pelo crime de estelionato (art. 171 do Código Penal), em virtude da caracterização de que o cheque foi entregue sabidamente sem provisão de fundos suficientes.

Em seu depoimento à polícia, Renato afirmou que o cheque foi preenchido e assinado por ele enquanto exercia o cargo de gerente da MegaFrutas, a pedido do proprietário da empresa. Alegou ainda que a responsabilidade final pelo pagamento era da firma, e não dele.

Apesar da justificativa, a Polícia Civil concluiu que havia indícios suficientes de dolo para manter o indiciamento, encaminhando o caso ao Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM).

Repercussão política

Embora o caso não tenha resultado em condenação, a descoberta do processo lança sombras sobre a imagem de integridade de Renato Júnior, que hoje tenta se consolidar como uma das principais lideranças políticas emergentes da capital amazonense. O episódio levanta dúvidas sobre seu comportamento ético em situações de responsabilidade financeira e comercial.

Aliados têm evitado comentar o assunto, enquanto opositores afirmam que o caso demonstra “um padrão de conduta incompatível com a função pública”.

Contexto: de R$ 3 mil ao poder

O mais intrigante é que, à época, o valor era de apenas R$ 3 mil. Hoje, Renato Júnior declara patrimônio superior a R$ 3 milhões ao TSE, crescimento que também levanta suspeitas entre investigadores da Controladoria-Geral da União (CGU) e do Ministério Público Eleitoral.

Documentos-chave do caso

• Inquérito Policial n.º 0005/2012 – DERFD

• Cópia do cheque nº 850114 – Banco Itaú

• Termo de indiciamento – Polícia Civil

• Petição de arquivamento – MP-AM

• Decisão judicial de arquivamento – 8.ª Vara Criminal de Manaus

O caso do cheque sem fundo não é apenas um episódio administrativo mal resolvido. Ele expõe um perfil político que já lidava com responsabilidades financeiras de forma duvidosa antes de chegar ao poder, e que hoje é cobrado por transparência na gestão de milhões em contratos e verbas públicas.