
O Ministério Público do Amazonas (MP-AM), deu mais detalhes sobre a “Operação Face Oculta”, deflagrada na manhã desta sexta-feira (03/10), e teve como alvo principal o vereador Rosinaldo Bual (Agir), preso juntamente com sua chefe de gabinete.
Rosinaldo e Luiza Seixas Barbosa são investigados por envolvimento em um esquema de rachadinha, funcionários fantasmas, lavagem de dinheiro e até associação com o tráfico de drogas dentro da Câmara Municipal de Manaus (CMM).
Conforme o diretor do Gaeco, promotor Leonardo Tupinambá, os mandados de prisão já foram cumpridos e as buscas seguem em andamento. Segundo ele, a operação tem como motivação a movimentação irregular de recursos públicos, em um esquema semelhante a uma “rachadinha”.
“Os mandados de prisão já foram cumpridos, e as buscas continuam sendo realizadas. A motivação está ligada à movimentação de recursos — uma espécie de rachadinha”, afirmou Tupinambá.
Foram apreendidos três cofres que estavam na casa do vereador, em um sítio e na casa da mãe de Bual, contendo quase R$ 600 mil em dois cheques, além de valores em espécie e outros objetos de valor. O vereador se recusou a dar as senhas dos cofres, sendo necessária intervenção de uma equipe do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) para acessá-los.

O que a investigação revelou
De acordo com o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), o gabinete do parlamentar funcionava como centro de um complexo esquema de corrupção, pelo qual passaram mais de 100 pessoas desde o início do mandato, a maioria sob suspeita de serem funcionários fantasmas ou de participar da prática de devolver parte do salário ao vereador.
Na operação, foram encontrados no gabinete de Bual três cofres, duas armas de fogo e diversos aparelhos eletrônicos, todos apreendidos para análise.
A Justiça do Amazonas autorizou a quebra de sigilo bancário do vereador, que confirmou a movimentação de valores suspeitos: transferências diretas para sua conta pessoal, configurando fortes indícios de desvio de recursos públicos.
Aliado de David Almeida na mira
Conhecido por ser um dos mais ferrenhos defensores do prefeito David Almeida (Avante) na tribuna da CMM, Bual se posicionava como aliado estratégico do Executivo municipal. Agora, sua prisão levanta questionamentos sobre até que ponto os esquemas de corrupção dentro da Câmara podem estar conectados às práticas já denunciadas na Prefeitura de Manaus.
Não é a primeira vez que aliados políticos próximos ao prefeito se veem envolvidos em escândalos. Recentemente, o ex-secretário de Comunicação, Jack Serafim, foi acusado de liderar um dos maiores esquemas de propina da história da administração municipal, revelando uma possível rede de corrupção sistemática em torno do Executivo.
Reação da Câmara Municipal
Por meio de nota oficial, a Câmara Municipal de Manaus confirmou a prisão do vereador e declarou estar colaborando com os órgãos de investigação:
“A CMM reitera seu compromisso com a transparência, a legalidade e a colaboração com os órgãos de controle e fiscalização”.
Próximos passos
Rosinaldo Bual e sua assessora foram encaminhados ao 19º Distrito Integrado de Polícia (DIP), onde prestaram depoimento. O material apreendido será periciado, e a expectativa é que os desdobramentos da investigação revelem novas ramificações do esquema.
A operação abre uma brecha para que sejam investigadas relações financeiras e políticas mais amplas, envolvendo não apenas a Câmara, mas também contratos da Prefeitura de Manaus.


