
Em 2026, a exemplo de anos anteriores, a gestão do prefeito de Iranduba, Augusto Ferraz (União Brasil) entrou mais uma vez na mira do Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM). Apenas no mês de maio, denúncias com pedidos de medida cautelar contra possíveis irregularidades do Poder Executivo Municipal foram admitidas pela Corte.
Os denunciantes foram os vereadores de Iranduba (a 28 quilômetros de Manaus), Larissa Gomes (PSD), Charles Jurandi (União Brasil) e Nedy Júnior (Progressistas). Os parlamentares apontam falhas que consideram graves em áreas essenciais para a população, como saúde pública e obras.
A primeira denúncia foi publicada no Diário Oficial Eletrônico do TCE-AM, no dia 12 de maio deste ano, e resultou na abertura do Processo nº 15013/2026. O caso trata da suspensão do serviço de raio-x do Hospital Regional Hilda Freire, o único do município. Segundo os vereadores, o equipamento está sem funcionar há cerca de dois anos, situação que prejudica diretamente pacientes que dependem de exames de imagem para atendimentos de urgência e emergência.
Na denúncia ao TCE-AM, também afirmam que moradores precisam ser transferidos para Manaus e municípios próximos para conseguir realizar exames simples. A ausência do raio-x aumenta o tempo de espera e dificulta o acesso ao atendimento médico em Iranduba. O trio de vereadores solicita uma medida cautelar para obrigar a prefeitura a resolver imediatamente o problema.
A própria Corte destaca a existência de possível falha na prestação de serviço essencial de saúde e eventual omissão da gestão municipal na manutenção do equipamento hospitalar. O caso agora será analisado pelo conselheiro Mário de Mello.

Poucos dias depois, em 18 de maio, uma publicação do Diário Oficial do TCE-AM expôs uma segunda denúncia contra a Prefeitura de Iranduba, que também foi admitida pela Corte. Desta vez, o Processo nº 15014/2026 revela possíveis irregularidades contratuais e problemas relacionados à paralisação de obras públicas no município.
No pedido ao Tribunal de Contas, os vereadores de Iranduba pedem inclusive a suspensão imediata de novos pagamentos ligados ao contrato investigado até que a situação seja esclarecida. A denúncia será relatada pelo conselheiro Luis Fabian Barbosa.
A mesma edição do Diário Oficial, no dia 18, informa que o Pleno do TCE-AM também admitiu uma denúncia, registrada no Processo nº 14167/2026, apresentada pelos vereadores Larissa Gomes, Charles Jurandi e Nedy Júnior. Neste caso, a ação é diretamente contra o prefeito Augusto Ferraz e o vice-prefeito Robson Adriel (Republicanos).
O documento pede a apuração de possíveis irregularidades em um pregão eletrônico destinado à contratação de empresa para serviços de limpeza preventiva e manutenção dos aparelhos de ar-condicionado das escolas da rede pública municipal.
Multa em abril
As admissões de denúncias pelo TCE-AM, em maio, mostram a sequência de desgastes enfrentados pela atual gestão em Iranduba junto aos órgãos de controle e fiscalização. Antes disso, em decisão publicada no Diário Oficial Eletrônico do TCE-AM, no dia 10 de abril, o prefeito Augusto Ferraz e a primeira-dama e então secretária municipal de Saúde, Luana Ferraz, já haviam sido multados pelo Tribunal por irregularidades na contratação de servidores da saúde sem processo seletivo público.
Na ocasião, o TCE-AM aplicou multas que somam mais de R$ 45 mil aos gestores após identificar contratações irregulares de agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias. Além da penalidade financeira, a Corte determinou que a Prefeitura de Iranduba anulasse contratos considerados ilegais e adequasse futuras admissões às exigências previstas na legislação.
Com novas denúncias em menos de um mês, a administração de Ferraz em Iranduba amplia o histórico recente de embates com o Tribunal de Contas, principalmente em áreas sensíveis, como saúde, contratos e execução de obras. Atualmente, Luana Ferraz é pré-candidata a deputada estadual para as Eleições de 2026, em outubro.


