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quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Mulher processa o marido após ele deixar ela por ser gay

Mulher alegou danos à saúde física e psicológica; caso terminou em acordo entre as partes

Uma mulher entrou com uma ação judicial contra o marido na Itália após descobrir que ele estava apaixonado por outro homem e desejava construir uma vida ao lado dele.

A esposa pediu uma indenização de 50 mil euros, o equivalente a aproximadamente R$ 284 mil, alegando ter sofrido prejuízos emocionais e financeiros durante o casamento.

O caso foi noticiado pela edição de Florença do jornal “La Repubblica”, nesta segunda-feira (19/10).

Segundo a publicação, o processo foi apresentado em um tribunal de Pistoia, na região da Toscana. Em seu relato, a italiana afirmou que sempre desejou ter um filho, mas que o marido teria rejeitado repetidamente a possibilidade de ampliar a família.

Casados desde o final da década de 1990, os dois passaram os primeiros anos de união sem grandes conflitos, antes de se estabelecerem na Toscana. Com o passar do tempo, porém, as divergências sobre a maternidade teriam contribuído para o desgaste do relacionamento.

De acordo com a mulher, ela chegou a pesquisar alternativas para preservar a fertilidade, como o congelamento de óvulos, e posteriormente propôs ao marido recorrer à fertilização in vitro (FIV).

Ele, no entanto, teria se recusado a fornecer esperma, inviabilizando a tentativa de terem um filho biológico.

Anos depois, o marido revelou que havia conhecido outro homem, por quem se apaixonara, e que desejava construir uma vida com ele. A notícia teria causado grande sofrimento à esposa, que decidiu procurar a Justiça algum tempo depois.

Na ação, ela alegou que a situação desencadeou ou agravou problemas de saúde, incluindo depressão, além de comprometer seu bem-estar físico e psicológico. Segundo seu relato, os efeitos também atingiram sua rotina e sua capacidade de trabalhar.

A mulher sustentou que sofreu danos financeiros, biológicos e extrapatrimoniais, argumentando que seus direitos fundamentais, especialmente os relacionados à família, à saúde e à procriação, teriam sido prejudicados pela omissão do marido sobre sua homossexualidade antes e durante o casamento.

O homem, por sua vez, afirmou que a união já enfrentava uma crise havia muitos anos e que o casal havia chegado a decidir pela separação. Em sua versão, ele alega que durante esse período, a esposa também teria mantido outro relacionamento, o que, em sua avaliação, contribuiu para o fim do casamento.

Além disso, o marido argumentou que não poderia ser obrigado a manter relações sexuais nem a ter um filho.

Durante o processo, o juiz determinou a realização de uma negociação assistida para tentar solucionar o conflito. Após um impasse inicial e meses de discussões, as partes chegaram a um acordo particular.

Como o casal está formalizando o divórcio, não houve necessidade de uma decisão judicial sobre o mérito da ação. Assim, o caso foi encerrado por meio de um entendimento entre as partes, sem julgamento definitivo das acusações apresentadas pela mulher.