
Moradores do bairro São Francisco, em Manacapuru, denunciaram o colapso completo da Unidade Básica de Saúde da comunidade, que estaria funcionando sem médicos, sem dentista e sem medicamentos essenciais. Segundo os relatos, a situação é de abandono e revolta.
De acordo com moradores, o posto de saúde ficou mais de 30 dias sem médico. Recentemente, a profissional retornou, mas permaneceu apenas cerca de cinco dias e desapareceu novamente da unidade. Desde então, a população está sem qualquer atendimento regular.
“Você sai de casa cedo esperando atendimento e quando chega lá não tem médico, não tem dentista e nem remédio. Quando tem consulta, mandam a gente buscar medicação no CAF, perto do PAC, na Boulevard Pedro Rates. A gente chega lá e também não tem nada. E quem não tem dinheiro pra passagem fica como?”, relatou uma moradora indignada.
Além da ausência de profissionais, a falta de medicamentos tornou-se rotina. Pacientes com hipertensão, diabetes e outras doenças crônicas relatam que não conseguem receber os remédios básicos fornecidos pelo SUS e retornam para casa sem qualquer solução.
A crise na saúde atinge não só a zona urbana. Moradores afirmam que comunidades da zona rural estariam completamente abandonadas e sem assistência médica há meses, dependendo de deslocamentos caros e demorados para conseguir atendimento na sede do município.
A revolta também recai sobre a Secretaria Municipal de Saúde, comandada por um médico oftalmologista que, segundo denúncias, não teria experiência em gestão pública na área da saúde. Para moradores e servidores ouvidos pela reportagem, a escolha do secretário teria sido política, por vínculo pessoal com a prefeita Valcileia Maciel, e não por critérios técnicos.
“Colocaram um especialista em olhos para cuidar da saúde inteira da cidade. É como botar um marinheiro para pilotar avião. Não tem preparo, não tem gestão e quem sofre é a população”, afirmou um funcionário da área da saúde, que pediu anonimato por medo de represálias.
A atual situação remete a um passado traumático para os manacapuruenses. O ex-prefeito conhecido como “Tororó”, hoje ocupa cargo estratégico na gestão municipal como secretário de Governo. Durante sua administração, a cidade enfrentou greves de profissionais da saúde, atrasos salariais e desabastecimento de medicamentos um cenário que, segundo moradores, está se repetindo.
“É a mesma história de antes. Os postos vazios, servidores desmotivados e o povo sem atendimento. Só mudou o nome do prefeito. O sofrimento é o mesmo”, afirma um morador antigo do bairro.
Para a população, não se trata mais de desorganização, mas de omissão pública. Enquanto discursos oficiais falam em investimentos e reorganização, a realidade nos bairros é de portas fechadas, filas inúteis e gente voltando pra casa doente e sem atendimento.


