Após a prisão de Milton Ribeiro, preso pela Polícia Federal por suspeita de tráfico de influência no Ministério da Educação (MEC), o presidente Jair Messias Bolsonaro (PL) disse em entrevista à rádio Itatiaia, na manhã desta quarta-feira (22), que seu ex-ministro da Educação deve responder “pelos atos dele”. Além de Ribeiro, também foi preso o pastor Gilmar Silva dos Santos.

“Se tem prisão, é PF, é sinal que a PF está agindo. Que ele responda pelos atos dele. Peço a Deus que não tenha problema nenhum, mas se tem problema, a PF tá agindo, tá investigando, é sinal que eu não interfiro na PF, porque isso vai respingar em mim, obviamente”, disse Bolsonaro.

O presidente disse ainda na entrevista, que o caso foi uma conversa informal entre pessoas de confiança do ex-ministro do MEC e o próprio Milton Cordeiro.

“Pelo o que estou sabendo, é aquela questão que ele estaria com uma conversa informal demais com algumas pessoas de confiança dele. Houve denúncia de que ele teria buscado prefeito, gente dele, para negociar, para liberar recursos, isso e aquilo”, afirmou.

O caso se tornou público após um áudio que falava dos acordos foi vazado, revelando que o governo federal priorizava a liberação de recursos a prefeituras indicadas pelos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura Correia, que não têm cargos oficiais no MEC, mas atuavam como lobistas na pasta. Logo após essa situação, o presidente disse que colocaria “sua cara no fogo” por Milton Cordeiro, durante uma transmissão on-line presidencial.

Na gravação, Milton Ribeiro diz que isso atende a uma solicitação de Jair Bolsonaro. Após a divulgação do áudio, o prefeito do município de Luís Domingues (MA), Gilberto Braga (PSDB), disse que o pastor Arilton Moura solicitou R$ 15 mil antecipados para protocolar as demandas da cidade, além de um quilo de ouro. Após a divulgação do áudio, Ribeiro foi pressionado para deixar o cargo, o que irritou Bolsonaro na época.

“O Milton, coisa rara eu falar aqui, eu boto a minha cara no fogo pelo Milton. Minha cara toda no fogo pelo Milton”, disse. Bolsonaro ainda classificou como “covardia” a pressão para que Milton Ribeiro deixasse o cargo — o que aconteceu no dia 28 de março — e disse que a situação expressava, em sua visão, a falta de corrupção em seu governo.

“Por que não tem corrupção no meu governo? Porque a gente age dessa maneira. A gente sempre está um passo à frente. Ninguém pode pegar alguém e dizer ‘ó, você está desviando’. Tem que ter prova, poxa, se não é uma ação contra a gente”, afirmou à época.

Já na entrevista concedida hoje à Itatiaia, o presidente da República disse que sua responsabilidade era “afastar e colaborar na investigação”. “Tenho 23 ministros, uma centena de secretários, mais de 20 mil cargos em comissão. Se alguém faz algo errado, vai botar culpa em mim?”.

Operação

A Polícia Federal cumpre mandados de busca e apreensão em endereços de Ribeiro e dos pastores Arilton Moura e Gilmar Santos. A ação foi batizada de Acesso Pago e investiga a prática de “tráfico de influência e corrupção para a liberação de recursos públicos” do FNDE.

A PF identificou indícios de crimes na liberação de verbas do fundo com base em documentos, depoimentos e um relatório do Controladoria-Geral da União (CGU) — há três semanas, um novo documento do CGU apontou sobrepreço em edital do FNDE.