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quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Hapvida consegue reajustar o contrato com a Prefeitura de Manaus e vai ganhar R$ 108 milhões da administração municipal

A operadora de saúde Hapvida ganhou um reajuste significativo do seu contrato com a Prefeitura de Manaus, mesmo vencendo o pregão com um lance reduzido.

A empresa recorreu ao Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) e conseguiu restabelecer o valor original do contrato, que posteriormente ainda recebeu um reajuste adicional de 10%.

O episódio ocorreu em um pregão eletrônico para a contratação de plano de saúde destinado ao município. Inicialmente, a Hapvida apresentou proposta de R$ 108 milhões. Durante a fase competitiva, uma empresa concorrente ofertou cerca de R$ 52 milhões, valor bem inferior ao da operadora.

Diante da possibilidade de derrota, a Hapvida reduziu seu lance para aproximadamente R$ 54 milhões, sendo declarada vencedora da licitação o que, à primeira vista, representaria economia expressiva aos cofres públicos.

Encerrado o processo licitatório, no entanto, a operadora recorreu ao TCE-AM e obteve decisão favorável para retomar o valor original da proposta, fixando o contrato novamente em R$ 108 milhões, mais que o dobro da menor oferta apresentada no certame.

Menos de um mês após a assinatura, a Prefeitura de Manaus autorizou um aditivo contratual de 10%, elevando o montante para aproximadamente R$ 119 milhões. Na prática, o custo final do contrato superou em mais de R$ 65 milhões o menor lance registrado durante a licitação, diferença assumida integralmente pelo poder público.

Documentos analisados pela reportagem indicam que o uso de recursos administrativos e judiciais para manter contratos públicos não é um caso isolado envolvendo a operadora no Amazonas.

Dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) apontam que a Hapvida figura entre as empresas com maior número de reclamações de beneficiários no país, relacionadas a dificuldades de atendimento, negativas de procedimentos e problemas na rede credenciada.

Situação semelhante foi registrada em contrato firmado com a Secretaria de Educação do Amazonas, onde a operadora chegou a enfrentar um processo de rescisão após queixas recorrentes de servidores, especialmente em municípios do interior, sobre falhas na cobertura e ausência de atendimento adequado. Relatórios internos mencionavam problemas contínuos na execução do serviço.

Apesar disso, a empresa conseguiu permanecer no contrato ao acionar o Judiciário, obtendo decisões liminares que suspenderam o rompimento. Com isso, manteve a prestação dos serviços e o recebimento de valores elevados, mesmo diante do reconhecimento administrativo das falhas.