
“A palavra que ilumina, o diálogo que transforma e a ação que constrói o bem comum”
Nesta quarta-feira (10), a Arquidiocese de Manaus realizou uma coletiva de imprensa para apresentar a reflexão da Igreja sobre sua presença na política. Compuseram a mesa o Cardeal Leonardo Steiner, arcebispo metropolitano de Manaus; Dom Zenildo Lima, bispo auxiliar da Arquidiocese de Manaus; Pe. Geraldo Bendaham, coordenador de Pastoral da Arquidiocese; Dra. Margareth Buzaglo, representante da Comissão de Reforma Política e Combate à Corrupção Eleitoral; e Josiel Coelho, presidente do Conselho de Leigos da Arquidiocese de Manaus.
Com o lançamento da cartilha “Círculos Bíblicos, Fé e Cidadania”, a Igreja em Manaus deseja propor, à luz do Evangelho, a participação efetiva do Povo de Deus na política.
“Os fiéis leigos não podem, de maneira nenhuma, abdicar da participação na política, ou seja, na múltipla e variada ação econômica, social, legislativa, administrativa e cultural, destinada a promover, de forma orgânica e institucional, o bem comum”, dizia São João Paulo II em sua exortação apostólica Christifideles Laici (n. 42).
Para o arcebispo de Manaus, Cardeal Leonardo Steiner, participar da política é ajudar a criar uma consciência sobre a importância que ela possui na sociedade:
“O voto é uma expressão da democracia, é uma participação nossa na defesa da democracia. Por isso, em quem votamos é muito importante. Precisamos estar atentos à pessoa a quem damos o nosso voto, se ela trabalha para o bem comum e se está disposta a realmente defender a democracia ou ajudar a expressá-la melhor.”
Ao falar sobre a necessidade de renovar a política, o arcebispo alertou para a importância da consciência no voto: “Que nós possamos ajudar a renovar a política e, especialmente, o Congresso Nacional, porque temos tido pautas que não têm ajudado a sociedade brasileira. Temos tido decisões que vão contra a sociedade brasileira e contra o meio ambiente. Então, nós queremos dar a nossa contribuição e caminhar com esperança”, destacou o arcebispo.
“Quando aprofundamos as temáticas da cartilha, percebemos que o primeiro encontro fala sobre a política e questiona: o que a Igreja tem a ver com isso? O texto esclarece que fé e vida estão intimamente ligadas e que a participação civil é fundamentada no Ensino Social da Igreja e na encíclica do nosso querido Papa Francisco, Fratelli Tutti, que apresenta a política como uma das formas mais sublimes de caridade e serviço ao bem comum”, abordou Josiel.
Dom Zenildo Lima destacou a manifestação da Igreja diante da realidade histórica:
“Talvez um pequeno ponto muito importante para resgatarmos seja com que autoridade, com que liberdade e com que concepção da sua missão a Igreja aborda e oferece elementos da Doutrina Social da Igreja. Em documentos mais recentes, como a Magnifica Humanitas, o Papa Leão nos oferece, de modo muito convincente, a convicção de que o Evangelho ilumina as realidades e os desafios de cada tempo.”
O bispo auxiliar também abordou a relação entre política, convivência social e fé:
“Por isso mesmo, a política, que sempre se apresenta como uma possibilidade de novas experiências de convívio social, pode ser iluminada pelas convicções que brotam do Evangelho. Apresentar-se assim, com essa aparente pretensão, não descaracteriza o que é próprio da comunidade de fé. Fazemos isso por causa da autoridade do Evangelho”, destacou o bispo auxiliar.
A Dra. Margareth enfatizou a disponibilidade do Comitê de Combate à Corrupção Eleitoral para receber denúncias:
“O comitê está pronto para receber todo tipo de denúncia. Estamos aqui para prestar serviço, e esse momento de orientação é uma construção coletiva e uma presença nossa dentro da sociedade, das comunidades, das igrejas e das entidades. O comitê está presente e à disposição da sociedade para o encaminhamento de todo tipo de reclamação. O Comitê de Combate à Corrupção Eleitoral mantém sua atuação no estado há mais de dez anos”, explicou.
Pe. Geraldo Bendaham reforçou a importância de manter a esperança na política:
“A política é um meio amplo de praticarmos a caridade e cuidarmos do bem comum. No entanto, apesar da esperança, constatamos muitos males que afetam a sociedade. Por isso, a Arquidiocese faz parte do Comitê de Combate à Corrupção e à Compra de Votos. Há candidatos que concorrem com honestidade e outros que praticam crimes. A posição da Igreja é orientar a população para que vote com verdade e justiça, mas, sobretudo, com discernimento”, explicou o coordenador de Pastoral da Arquidiocese.
Ao final, o Cardeal Leonardo Steiner abriu espaço para perguntas dos jornalistas e recordou a importância de não esquecermos que o voto consciente é uma das expressões mais significativas da democracia.



