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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

FAKE NEWS INSTITUCIONAL: Gestão Augusto Ferraz mente sobre aterro sanitário, engana MP e perpetua lixão ilegal em Iranduba

A Prefeitura de Iranduba divulgou uma informação falsa para a população e a imprensa sobre a suposta construção no município de um aterro sanitário público pelo Governo do Amazonas, com recursos de R$ 5 milhões da Caixa Econômica. Conforme a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedurb), a verba federal é para medidas de recuperação da área degradada pelo lixão a céu aberto, que funciona há mais de 30 anos no Ramal do Creuza, e nem sequer inclui o projeto de um aterro municipal.

No último dia 29 de janeiro, o secretário de Infraestrutura da cidade, Yago Brandão, ainda induziu ao erro o Ministério Público do Amazonas (MPAM) durante uma inspeção do órgão de controle no lixão. Na ocasião, Brandão disse erroneamente que o Estado, em parceria com o governo federal, implantaria um aterro sanitário no atual local de despejo dos resíduos.

Na sexta-feira passada (30/01), um dia após a vistoria técnica do MPAM, o secretário de Estado de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedurb), Marcellus Campêlo, desmentiu, em um portal de notícias, a falsa propaganda da gestão do prefeito de Iranduba, Augusto Ferraz (União Brasil), sobre o aterro público. Campêlo explicou que os recursos de aproximadamente R$ 5 milhões são para a “remediação do lixão existente, por meio da execução de um PRAD – Projeto de Recuperação de Área Degradada”.

O mais espantoso sobre a informação falsa do aterro municipal é que, em dois vídeos publicados em dias seguidos nas redes sociais do Poder Executivo, o secretário de Infraestrutura, Yago Brandão, atesta a falta de discernimento da Prefeitura de Iranduba que levou ao equívoco para posteriormente desmentir a si próprio, mesmo sem admitir. No primeiro vídeo, Brandão noticia a visita do promotor de Justiça do MPAM no lixão e afirma que durante uma reunião entre o prefeito Ferraz e o titular da Sedurb se discutiu a construção do aterro sanitário pelo Governo do Estado. Aparentemente, ninguém da prefeitura entendeu do que se tratava o Projeto de Recuperação de Área Degradada (PRAD).

No segundo vídeo, o secretário de Infraestrutura explica que decidiu consultar o corpo técnico da Sedurb para tirar as dúvidas dos moradores de Iranduba sobre as futuras providências do Estado na área do lixão. Sem mencionar nenhuma vez um aterro sanitário, Yago Brandão lê as ações listadas pela Sedurb para executar o PRAD, que seriam: modelagem do terreno; estabilização de taludes; construção de valas e condutos; obras de contenção; manejo de resíduos; e revegetação.

Entretanto, ao divulgar a construção de um aterro inexistente, a Prefeitura de Iranduba não apenas enganou a opinião pública, como também contribuiu para prolongar a vida útil de um lixão ilegal. A tentativa de transferir responsabilidades ao Governo do Amazonas comprova a incapacidade administrativa do Executivo municipal em enfrentar o problema de forma séria e transparente.

Atualmente, Iranduba já dispõe de uma medida viável. Um projeto de aterro sanitário privado apresentado pela empresa Norte Ambiental. Ignorar essa solução e apostar em desinformação institucional evidencia que a permanência do lixão a céu aberto não é falta de opção, mas decisão política. As consequências recaem diariamente sobre o meio ambiente, os catadores de resíduos e toda a população do município.