
O prefeito de Manaus Renato Júnior (Avante), consolidou sua comunicação pública com base em uma narrativa recorrente de superação pessoal, frequentemente resumida na expressão “de feirante a prefeito”, repetida em discursos, entrevistas e conteúdos institucionais.
Ao destacar de forma sistemática sua origem humilde como filho de feirantes e trabalhador desde cedo, ele utiliza um recurso clássico do marketing político, que transforma a biografia em ativo simbólico para gerar identificação com o eleitorado, especialmente nas camadas populares.
No entanto, a insistência nesse enquadramento tem gerado críticas no campo da análise política e comunicacional, uma vez que a repetição constante dessa narrativa pode deslocar o foco do debate público da gestão administrativa para a construção de imagem pessoal.
Sob uma perspectiva técnica, esse comportamento pode se aproximar do conceito de humblebragging, no qual a exposição de uma qualidade ou trajetória é utilizada de forma estratégica como autopromoção, ainda que sob aparência de humildade.
Além disso, ao enfatizar continuamente a origem como feirante, a comunicação do prefeito tende a simplificar sua trajetória política, deixando em segundo plano sua atuação em cargos relevantes dentro da administração pública antes de assumir o Executivo.
Na prática, essa estratégia fortalece o vínculo popular e amplia o capital político, mas também abre espaço para questionamentos sobre autenticidade e uso recorrente de apelo emocional como ferramenta de manutenção de popularidade.


