CPMI do INSS pede a prisão de Juscimar Fonseca ex- vereador de Manacapuru por fraude milionária

Por: Redação

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS aprovou nesta terça-feira (02/09) o pedido de prisão preventiva de Jucimar Fonseca da Silva, ex-vereador de Manacapuru e ex-Coordenador-Geral de Pagamentos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Além dele, a CPMI pediu a prisão de outros 20 investigados ligados ao esquema, incluindo nomes como André Paulo Félix Fidelis, Érica Douglas Martins Fidelis, Cecília Rodrigues Mota, Vigílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, Thaisa Hoffmann-Johnson, Maria Paula Xavier da Fonseca Oliveira, Alexandre Guimarães, Antônio Carlos Camilo Antunes, Rubens Oliveira Costa, Romeu Cavalho Antunes, Domingo Sávio de Castro, Milton Salvador de Almeida Juno, Adélinon Rodrigues Juno, Alessandro Antonio Stefanutto, Giovanni Battista Spica, Reinaldo Carlos Barroso de Almeida, Wanderlei Barbosa dos Santos, Jussimá Fonseca da Silva, Filipe Rotters Coutinho, Mauricio Camisote e Márcio Alaô de Araújo.

O pedido foi fundamentado pela Advocacia do Senado e será encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a comissão, a medida é necessária para garantir a ordem pública, a instrução criminal e a aplicação da lei penal, já que nenhum dos acusados está preso até agora.

Fraude bilionária contra aposentados

A decisão da CPMI tem como base a Operação Sem Descontos, da Polícia Federal (PF) em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), que revelou um esquema de fraudes bilionárias no INSS.

De acordo com as investigações, entre 2019 e 2024, aposentados e pensionistas sofreram descontos indevidos de até R$ 81,57 em seus benefícios. O prejuízo estimado é de R$ 6,3 bilhões, atingindo cerca de 6 milhões de beneficiários.

A CGU informou que 97% dos aposentados entrevistados negaram ter autorizado os descontos, que ocorreram por meio de Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) firmados entre o INSS e entidades como associações e sindicatos. Em 70% dos casos analisados, a documentação exigida sequer foi apresentada.

Laços políticos em Manacapuru

Apontado como peça-chave na gestão de pagamentos que sustentou o esquema, Jucimar da Silva já havia sido afastado do cargo no INSS por seis meses após a operação.

Com forte atuação política em Manacapuru, ele construiu sua base ao lado do ex-prefeito Beto Dangelo e mantém proximidade com a atual prefeita Valciléia Flores Maciel. Imagens divulgadas pela imprensa mostram o ex-vereador ao lado dos dois líderes políticos, reforçando as suspeitas de que a rede de corrupção pode ter conexões com a política local, já marcada por casos de desvios e superfaturamento.

Pressão popular e próximos passos

O escândalo causou revolta nacional, principalmente entre os aposentados que se sentiram lesados. Em Manacapuru, a população cobra explicações sobre os reflexos do caso e maior transparência na administração pública.

Além de Jucimar, o atual presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, também foi afastado, assim como outros servidores de alto escalão da autarquia.

A CPMI deve enviar o pedido de prisão ao STF nos próximos dias. Enquanto isso, a Polícia Federal segue aprofundando as investigações.

Organizações de aposentados exigem justiça rápida e punição exemplar para os envolvidos.

Veja o vídeo:

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