Choy x Antony: quem tem mais chances de ocupar vaga de desembargador no TJAM?

Por: Redação

Manaus- Disputa jurídica vira embate político entre Prefeitura e Governo do Amazonas, e análise de bastidores revela vantagem de nome ligado a Wilson Lima

A disputa pela vaga de desembargador do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), aberta pelo chamado quinto constitucional da advocacia, transformou-se em um xadrez político entre os dois principais polos de poder no estado: o governador Wilson Lima (União Brasil) e o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante).

Os dois principais nomes da disputa são Marcos Aurélio Choy, ex-presidente da OAB-AM e atualmente vinculado à Procuradoria-Geral do Município de Manaus, e Flávio Antony Filho, atual chefe da Casa Civil do governo estadual. Ambos constam na lista sêxtupla elaborada pela OAB-AM e agora aguardam a seleção da lista tríplice pelo TJAM, da qual sairá o nome que será nomeado pelo governador.

A seguir, analisamos os pontos fortes e fracos de cada candidato e os bastidores que podem definir o desfecho dessa disputa.

Marcos Aurélio Choy – O nome de David Almeida

Pontos positivos:
• Reconhecimento e influência na advocacia amazonense: Choy presidiu a OAB-AM de forma ativa e tem grande trânsito entre advogados e instituições jurídicas.
• Articulação institucional consolidada: É visto como um nome técnico, com bom histórico de relacionamento com o Judiciário.
• Apoio da Prefeitura de Manaus: Conta com o apoio político do prefeito David Almeida, que mobiliza aliados para sua candidatura e atua nos bastidores para fortalecer seu nome.

Pontos negativos:
• Vínculo direto com a gestão David Almeida: Embora esse apoio seja força política, pode também representar um obstáculo, já que a indicação final cabe ao governador Wilson Lima hoje em rota de colisão com David.
• Rejeição entre setores do governo estadual: O poder executivo vê a candidatura de Choy como uma tentativa do prefeito de ocupar espaço estratégico no Judiciário, o que pode gerar resistência.

Flávio Antony – O nome de Wilson Lima

Pontos positivos:
• Ligação direta com o governador: Flávio Antony é chefe da Casa Civil e homem de confiança de Wilson Lima. A relação política e pessoal com o governador pesa muito em uma nomeação que é prerrogativa exclusiva dele.
• Experiência administrativa e jurídica: Já ocupou cargos relevantes no Governo do Estado e é advogado com atuação conhecida nos bastidores do poder.
• Estratégia de influência: A escolha de Antony daria a Wilson um aliado direto dentro do TJAM em um cenário político que se encaminha para embates judiciais envolvendo o Executivo.

Pontos negativos:
• Menor visibilidade na classe jurídica: Apesar de sua trajetória no Executivo, Antony tem menos inserção e reconhecimento direto entre os advogados da OAB-AM em comparação a Choy.
• Nome considerado “estritamente político” por parte da magistratura: Alguns setores do Judiciário veem sua indicação como excessivamente vinculada ao interesse do governador, o que pode gerar resistência no TJAM na hora da escolha da lista tríplice.

Quem tem mais chances?

Com base no desenho atual da disputa, Flávio Antony leva vantagem por um fator decisivo: ele é o nome de confiança do governador, e a nomeação final é feita por Wilson Lima. Ainda que Marcos Aurélio Choy tenha mais apoio na advocacia e trânsito institucional, o Palácio Rio Negro tem o controle da caneta final.

Por outro lado, Choy só terá chances reais se conseguir impedir que Antony entre na lista tríplice, etapa anterior à nomeação. Para isso, dependerá do voto dos desembargadores do TJAM, onde há certa simpatia por nomes mais técnicos e desvinculados de disputas políticas diretas.

Se os dois entrarem na lista tríplice, a tendência é que Wilson Lima escolha Flávio Antony, reforçando seu domínio sobre instituições estratégicas do Estado, num contexto em que o governador enfrenta pressão política, possíveis embates judiciais e crise de relacionamento com a Prefeitura.

A disputa entre Choy e Antony é mais do que uma escolha jurídica é um capítulo da guerra política velada entre Wilson Lima e David Almeida, que pode se acirrar ainda mais em 2026.

A cadeira de desembargador virou um prêmio de guerra. E, no jogo atual, quem está mais próximo da caneta do governador tem a vantagem.