Após 80 anos de funcionamento, Aeroclube do Amazonas recebe da justiça ordem de despejo e deve parar de operar no Estado

A pedido da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), a Justiça determinou esta semana, o despejo do Aeroclube do Amazonas, em uma ação que iniciou em 2023, quando o Governo Federal transferiu oficialmente a gestão do Aeródromo de Flores, zona Centro-sul de Manaus, para a Infraero.

A estatal argumentou que a ocupação tornou-se irregular após o término do convênio em 2023, e que era necessário retomar o controle para garantir segurança e conformidade legal.

Com a decisão da justiça, a Infraero passou a cobrar valores retroativos referentes à ocupação de hangares e prédios usados pelo aeroclube, com uma cobrança ultrapassa o valor de R$ 1,3 milhão, que de acordo com o financeiro do aeródromo é incompatível com a realidade financeira da entidade, que sobrevive de cursos e mensalidades.

Além disso, a estatal instalou catracas no acesso ao aeródromo. Essa medida, segundo a direção, prejudicou o trabalho de instrutores e alunos.

O Aeroclube do Amazonas ingressou novamente na Justiça para tentar suspender a cobrança e manter suas atividades operacionais no local.

Mudança afeta o transporte para o interior do Amazonas

A decisão judicial ameaça diretamente a aviação regional, já que o aeroclube atua há décadas dando apoio a voos aeromédicos que transportam pacientes de comunidades ribeirinhas para Manaus. Nessas áreas, o avião é o único meio de acesso rápido à saúde.

Além disso, o fechamento comprometeria a formação de novos pilotos civis. Muitos profissionais que hoje atuam em companhias nacionais e internacionais começaram suas carreiras no aeroclube. Por isso, entidades do setor alertam que a decisão poderá gerar impactos duradouros na aviação amazônica e na conectividade regional.

A repercussão da decisão que determina o despejo do Aeroclube do Amazonas mobilizou pilotos, instrutores e parlamentares em todo o país. Diversas entidades ligadas à aviação civil buscam diálogo com o Ministério de Portos e Aeroportos para tentar reverter a ordem judicial.