
O crime, ocorrido em março de 2022, chocou o estado do Amazonas pela brutalidade
John Lenon Menezes, de 31 anos, e Ana Beatriz Barbosa, de 20 anos, foram condenados nesta quarta-feira (18/06) a penas que somam mais de 70 anos de prisão pela morte da menina Lorena Ferreira Rodrigues, de apenas dois anos, em Manaus. O crime, ocorrido em março de 2022, chocou o estado do Amazonas pela brutalidade.
O julgamento no Tribunal do Júri da 2ª Vara de Manaus durou dois dias. John Lenon foi sentenciado a 39 anos e quatro meses de prisão. Ana Beatriz, tia da vítima, recebeu pena de 32 anos e três meses. Ambos cumprirão as sentenças em regime fechado.
Segundo as investigações, Lorena foi vítima de espancamentos constantes enquanto estava sob os cuidados do casal, no bairro Compensa III. A mãe da criança havia deixado a filha com a irmã e o cunhado temporariamente. Laudos periciais confirmaram que a criança sofreu agressões violentas — socos, tapas e golpes com o cabo de um esfregão — que causaram traumatismo craniano.
Após a morte da menina, os dois tentaram esconder o crime. Colocaram o corpo em uma mochila e viajaram até Autazes, a cerca de 120 quilômetros da capital, onde enterraram a criança no quintal da casa do avô materno. O corpo só foi encontrado em 27 de março de 2022, após o início das investigações.
Ana Beatriz chegou a ser presa ainda naquele mês por ocultação de cadáver, mas foi solta após dois meses. Novas provas a ligaram diretamente ao homicídio. No entanto, John Lenon permaneceu foragido por mais de um ano, até ser preso em maio de 2023 após ser localizado trabalhando como lavador de carros, sob nome falso, na zona centro-sul da cidade. Ele tentou fugir e foi baleado no pé durante a abordagem policial.
A sentença levou em conta a extrema violência do crime, o fato de a vítima ser uma criança indefesa, e a tentativa de ocultar o corpo. O casal foi condenado por homicídio triplamente qualificado — por motivo fútil, feminicídio e meio cruel — além de ocultação de cadáver.
O caso gerou comoção nas redes sociais e mobilizou movimentos de proteção à infância, reacendendo o debate sobre a vulnerabilidade de crianças em ambientes familiares violentos e a importância de políticas públicas de prevenção e acolhimento.


