
Os silenciosos mas intrigantes corredores políticos amazonense, emergiu uma figura até então desconhecida, mas já bastante influente no escrutínio público, o vereador Ubirajara Rosses do Nascimento Junior, mais conhecido como Coronel Rosses (PL).
Com trajetória marcada por ligações familiares, apoio militar e articulações partidárias, Rosses vem ganhando espaços no meio político em Manaus, muito tomando de carona o colega de partido e de parlamento, vereador Sargento Salazar (PL).
Rosses tem seu nome vincula a episódios de influência política nos bastidores da política amazonense, disputas silenciosas e suspeitas de favorecimento a empresas e lobby para ganhar dinheiro com a venda de produtos para gestões das forças de segurança.
Irmão do deputado estadual Delegado Péricles (PL), Rosses não busca apenas reconhecimento e poder diante de eleitores, mas sonha e pretende alcançar poder dentro do PL, tentando inclusive derrubar a hegemonia do atual presidente da sigla, o ex-deputado Alfredo Nascimento (PL), para assim conseguir se consolidar como uma força de controle, não apenas em votos, mas também em contratos, cargos e decisões administrativas.
Aposentadoria como Coronel da PM do Amazonas foi um favor político
Coronel Rosses seguiu carreira na Polícia Militar do Amazonas, onde conseguiu garantir uma aposentadoria como Coronel, que é cercada de levantamentos e questionamentos de como ele conseguiu se aposentar tão jovem.
De acordo com fontes que acompanharam todo esse processo de aposentadoria de Rosses, a liberação desse benefício teria sido acelerada com apoio direto do então governador Eduardo Braga (MDB), como uma possível troca de favor entre eles.
A aposentadoria de Rosses como Coronel da PM, seria uma estratégia para aumentar a base governista, na época de Eduardo Braga, que deixava o governo para disputar a vaga ao Senado Federal, e Rosses seria uma das bases de apoio, levando o nome de Braga para os militares.
A pernada em Platiny e a tomada do PSL em Manaus
Com o apoio de Braga, e de seu irmão Péricles, Rosses voltou-se a política mais profundamente e articulou para derrubar o ex-deputado estadual Platiny Soares (PSL), da presidência estadual do partido.
A manobra que envolveu alianças silenciosas dentro da própria legenda, e o controle de estruturas eleitorais antes associadas a Platiny, como lideranças comunitárias, redes sociais bolsonaristas e assessores parlamentares, Rosses assumir o controle do PSL.
Hoje, Coronel Rosses está nos quadros do PL, onde é considerado um dos principais articuladores do partido em Manaus, com trânsito direto junto à direção nacional e participação ativa nas decisões estratégicas da legenda no estado, articulando um voo mais alto e já preparando a próxima “pernada” a um dirigente partidário.
O próximo alvo de Rosses é o presidente estadual do PL Alfredo Nascimento, que não deixa o então vereador, criar asas maiores dentro do partido.
O pacto com Amazonino e o acordo pelo silêncio em 2018
A eleição estadual de 2018 no Amazonas foi marcada por disputas intensas e a ausência de uma candidatura do grupo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), na época candidato pelo PSL, ao governo do Amazonas e ao Senado Federal.
Documentos e depoimentos que vieram à tona recentemente, indicam que o motivo foi uma aliança informal com o ex-governador Amazonino Mendes (Rede), e então presidente do PSL no Amazonas, Coronel Rosses.
Fontes ligadas à campanha afirmam que houve um acordo tácito: em troca da neutralidade política nas eleições majoritárias. O PSL, partido de Bolsonaro e comandado no Estado por Rosses, teria garantido espaço em secretarias estaduais e contratos com empresas ligadas à família do hoje vereador e do deputado Péricles.
O acordo permitiu que o grupo de Amazonino, podesse atuar livre de desgaste eleitoral, já que o Bolsonarismo ganhava força dentro das eleições, para que Rosses mantivesse e ampliasse — sua presença na máquina pública.
Lobby em vendas de armas ao Governo do Amazonas
A relação entre o Coronel Rosses e o governador Wilson Lima (UB), que já foi de proximidade, deteriorou-se rapidamente após um episódio pouco conhecido do público, onde o vereador tentou fazer lobby para emplacar uma empresa árabe de armamentos como fornecedora do Estado.
Segundo fontes do alto escalão do governo, Rosses atua como “representante informal” da empresa estrangeira, pressionando pela assinatura de contratos com a área de segurança pública. O governador Wilson Lima, porém, teria recusado a indicação, o que gerou um rompimento silencioso entre Coronel Rosses e o núcleo político do governo.
O episódio escancarou o trânsito de Rosses no setor privado de armamentos, e levantou suspeitas sobre o uso do mandato para interesses comerciais paralelos à sua função pública.
Investigações e cerco ao parlamentar
Com a aproximação das eleições de 2026, Coronel Rosses deve se preparar para dar novos passos, com possibilidade de disputar cargos majoritários ou ampliar ainda mais a bancada do PL no Amazonas.
No entanto, as articulações políticas e os indícios de favorecimento familiar já despertaram o interesse de órgãos de controle, que iniciaram investigações preliminares no Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) e no Ministério Público do Amazonas (MP-AM), para apurar inconsistências em valores obtidos por Rosses e a vida de luxo que leva em Manaus.
Caso sejam confirmadas as denúncias de uso do cargo para beneficiar empresas e tentativas de lobby com empresas estrangeiras, Rosses poderá ter sua carreira interrompida por processos judiciais e sanções administrativas.
Rosses não é apenas mais um vereador. Ele é parte de um projeto político-familiar silencioso e com ambições de longo alcance. Sua atuação política mescla disciplina militar, estratégia partidária e influência econômica uma combinação rara e perigosa, quando desprovida de fiscalização.
O caso exige respostas claras das instituições fiscalizadoras, da imprensa e da sociedade civil. O poder político no Amazonas, historicamente marcado por figuras fortes e redes familiares, pode estar diante de um novo capítulo tão influente quanto os anteriores, mas ainda na penumbra.


