
Por:Redação
Em um caso que escancarou as fragilidades do sistema de Justiça no Amazonas, o empresário Joabson Agostinho Gomes, dono da rede de supermercados Vitória, e sua esposa Jordana Azevedo Freire se tornaram o centro de uma investigação que choca pela brutalidade do crime e pela sensação de impunidade que paira sobre a cidade de Manaus.
O crime ocorreu em 1º de setembro de 2021, quando o sargento do Exército Lucas Ramon Silva Guimarães foi executado a tiros na zona centro-sul de Manaus. O caso rapidamente ganhou repercussão após a Polícia Civil do Amazonas apontar o casal de empresários como mandantes do assassinato — um crime que teria sido motivado por um relacionamento extraconjugal entre Jordana e o sargento, além de supostos desvios financeiros da empresa em favor da vítima.
As investigações revelaram uma trama articulada. O gerente dos supermercados Vitória, Romário Vinente Bentes, teria intermediado a contratação do executor, Silas Ferreira da Silva, por R$ 65 mil. O esquema envolveu ainda outras prisões e a apreensão de provas contundentes.
Apesar da gravidade do caso, a Justiça pareceu caminhar em outra direção. Em fevereiro de 2022, Joabson e Jordana foram presos na terceira fase da Operação Lucas 8:17, que buscava responsabilizar todos os envolvidos no crime. No entanto, em novembro do mesmo ano, uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), assinada pelo ministro Reynaldo Soares da Fonseca, concedeu habeas corpus ao casal, permitindo sua soltura.
Pior ainda, em 2023, a Justiça do Amazonas rejeitou a denúncia contra Jordana Azevedo Freire, alegando que não havia provas suficientes para ligá-la ao homicídio — um desfecho que causou indignação entre familiares da vítima e parte da sociedade civil.
Enquanto isso, Joabson continua respondendo ao processo em liberdade. Nenhuma sentença foi proferida até hoje, quase quatro anos após o crime. O caso, que envolve uma das famílias mais poderosas do varejo manauara, levanta suspeitas sobre influência econômica, favorecimento judicial e lentidão processual, transformando-se em um verdadeiro símbolo da impunidade na capital amazonense.
Para a família do sargento Lucas Ramon, o sentimento é de frustração: “A dor de perder um filho é eterna, mas a dor de ver os culpados livres é uma tortura diária. A Justiça no Amazonas precisa responder à altura”, declarou a mãe da vítima em entrevista.
Com a população cada vez mais descrente das instituições, o caso Joabson Gomes não é apenas uma tragédia pessoal. É também um retrato de como o poder, o dinheiro e as brechas no sistema judicial podem se aliar para frustrar o clamor por justiça. E em Manaus, essa história continua sendo escrita — sem ponto final.


