
O Tribunal Superior Federal (STF), determinou o afastamento imediato de Adail Pinheiro (Republicanos), da gestão municipal em Coari, no interior do Amazonas, após a Operação Dinastia do Lago, deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira (16/09), que visa investigar possíveis fraudes em licitações, desvios de recursos públicos, corrupção, peculato e lavagem de dinheiro naquele município.
A Polícia Federal investiga uma possível atuação coordenada entre empresários, agentes públicos e terceiros para direcionar licitações, desviar recursos públicos e realizar movimentações financeiras relacionadas ao pagamento de vantagens indevidas e à ocultação da origem e destino dos valores.
Além do prefeito, secretários e servidores municipais também foram afastados, segundo as informações divulgadas sobre a operação. As medidas são cumpridas em Coari e Manaus e fazem parte de uma investigação que começou após a apreensão de aproximadamente R$ 1,25 milhão em dinheiro vivo com três empresários do Amazonas, em maio de 2025.
A apreensão ocorreu no Aeroporto Internacional de Brasília, durante um deslocamento entre Manaus e a Capital Federal. A partir do material apreendido, a Polícia Federal passou a analisar documentos, equipamentos eletrônicos e movimentações financeiras relacionadas aos empresários.
Segundo a investigação, os investigadores apuram possíveis conexões entre empresários, agentes públicos e terceiros ligados à Prefeitura de Coari. Também é investigado se empresas foram utilizadas em processos licitatórios direcionados e se recursos públicos foram movimentados para pagamento de vantagens indevidas ou para ocultar a origem e os destinatários dos valores.
O caso chegou ao STF, onde a investigação passou a examinar possíveis relações financeiras entre empresas ligadas aos investigados e os políticos Adail Pinheiro e Adail Filho, deputado federal e filho do prefeito. A análise dessas movimentações levou o Supremo a aprofundar a apuração sobre contratos públicos e recursos destinados ao município.
Paralelamente à investigação criminal, o Tribunal de Contas da União (TCU) fiscalizou a aplicação de recursos federais destinados a Coari por meio das chamadas Emendas PIX. A fiscalização integra o processo TC 004.352/2026-2, que analisou transferências especiais realizadas para 18 municípios entre 2020 e 2024.
No caso de Coari, o TCU identificou que R$ 9.020.000,00, referentes à Emenda Parlamentar nº 202437940002, foram transferidos entre julho e setembro de 2024 da conta específica da transferência especial para contas genéricas da Prefeitura.
Segundo a auditoria, a transferência rompeu a rastreabilidade bancária necessária para acompanhar o percurso do dinheiro e verificar se os recursos continuaram vinculados à finalidade prevista. Por isso, o tribunal determinou a instauração de uma Tomada de Contas Especial (TCE) para apurar responsabilidades e eventual ressarcimento aos cofres públicos.
A investigação da Polícia Federal e a fiscalização do TCU tratam de frentes distintas, mas ambas envolvem a administração de recursos públicos destinados a Coari. No caso da operação policial, a apuração continua sob medidas determinadas pelo STF.


