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sábado, 14 de março de 2026

Vendedor de respiradores de Doria é investigado por fraude milionária no Paraná

SP - CORONAVÍRUS-COLETIVA-DÓRIA - GERAL - O governador João Dória durante coletiva de imprensa no Palácio dos Bandeirantes em São Paulo (SP), nesta terça-feira (14), para atualizar a sociedade sobre a situação do novo coronavírus no estado. 14/04/2020 - Foto: DANILO M YOSHIOKA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

A polêmica compra de respiradores chineses pela gestão João Doria (PSDB), por mais de R$ 500 milhões, teve a participação de um empresário brasileiro investigado pelo Ministério Público do Paraná sob a suspeita de participação em uma fraude no Detran paranaense, estimada em mais de R$ 120 milhões.


Basile George Pantazis foi alvo em março deste ano de uma ordem judicial de busca e apreensão em sua casa em Brasília, na operação batizada de Taxa Alta, e teve os bens bloqueados pela Justiça em maio, segundo o Gaeco do Paraná, grupo especial de combate ao crime organizado.


Outras 15 pessoas foram alvo desse bloqueio, entre elas o irmão do empresário, Alexandre Pantazis. Os irmãos são sócios da Infosolo Informática -empresa responsável pelo registro eletrônico de alienação de veículos no Paraná.


Foi também em março deste ano que a gestão Doria iniciou a negociação para compra de 3.000 respiradores chineses. A entrega dos aparelhos devia, inicialmente, ter sido concluída em maio, o que não ocorreu. A compra também é investigada pelo Ministério Público de São Paulo.


O atraso da entrega levou à repactuação do acordo para R$ 242 milhões e 1.280 equipamentos, uma adequação do valor adiantado pelo governo paulista em abril à intermediária Hichens Harrison, empresa para qual Pantazis trabalhava. Os equipamentos eram esperados para criação e ampliação de UTIs para enfrentamento da pandemia do novo coronavírus.


Conforme a Folha revelou, a Hichens Harrison pediu nova repactuação, estendendo a data final de entrega, porque o novo prazo vence na próxima segunda, dia 15, e, segundo a própria empresa, não deve ser cumprido na totalidade. O governo paulista diz ter notificado a empresa sobre os prazos.


Foi por intermédio de uma mensagem de Basile que o governo paulista recebeu a fatura (invoice) com os dados para depósito dos 30% de adiantamento, para que a compra dos respiradores chineses pudesse continuar. “Que Deus nos ajude a todos”, escreveu ele nesse email.

O empresário também foi um dos cobrados pelo governo paulista quando ocorreu o primeiro atraso na entrega. Basile é contatado por meio de dois e-mails, um particular e outro corporativo da Hichens Harrison.


Embora representantes da Hichens Harrison e do governo paulista neguem ligação com Basile no acordo, em depoimento ao Ministério Público nesta semana, o empresário afirmou que foi ele, sim, o responsável pelo elo entre o governo paulista e a Harrison. Disse ainda que vem acompanhando o processo de entrega dos equipamentos.
Basile e Alexandre Pantazis são conhecidos em Brasília como “irmãos gregos” e por sua ligação com a empresa Dismaf, que vendia bolsas para os Correios e acabou investigada no escândalo do mensalão.


Essa mesma empresa também passou a comercializar trilhos de trens para o governo federal, para obras da ferrovia Norte-Sul, cuja qualidade foi questionada pelo Ministério dos Transportes.
Basile foi tesoureiro do PTB nos anos 2000 e era próximo de Gim Argello, então senador do partido pelo DF, preso em 2016, em uma das fases da Lava Jato.


Até a semana passada, dos 1.280 respiradores comprados, a empresa havia entregue, do modelo AX400, 50 equipamentos em 29 de maio e 100 nesta terça (2); 150 deveriam ser entregues “nos próximos dias”, segundo a Hichens Harrison.
Já do modelo SH300, mais caro, foram entregues apenas 133 unidades, em 25 de maio. Pelo acordo firmado, deveriam ter sido entregues 750 equipamentos até 30 de maio e outros 170 esta quarta (10), o que não vai acontecer.