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quarta-feira, 15 de julho de 2026

De vice em 2017 ao Senado em 2026: Marcelo Ramos volta a colocar Eduardo Braga no centro de sua derrota política

Ex-deputado afirma que senador do MDB atuou junto à direção nacional do PT para barrar seu projeto eleitoral de 2026; declaração reabre um dos capítulos mais marcantes da política amazonense.

A disputa pelo Senado Federal no Amazonas ganhou um novo capítulo após o ex-deputado federal Marcelo Ramos afirmar, em vídeo publicado nas redes sociais, que o senador Eduardo Braga (MDB/AM) foi o responsável por articular, junto à direção nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), o encerramento de sua pré-candidatura ao Senado nas eleições de 2026.

Segundo Marcelo Ramos, Braga teria argumentado à cúpula petista que sua candidatura não apresentava viabilidade eleitoral e que sua permanência na disputa poderia comprometer o projeto de reeleição do próprio senador. A declaração repercutiu no meio político e reacendeu uma relação marcada por alianças, rompimentos e disputas ao longo da última década.

Da oposição ao sistema à aliança com Eduardo Braga

Marcelo Ramos construiu sua trajetória política como vereador de Manaus, deputado estadual e deputado federal. Durante boa parte de sua carreira, consolidou sua imagem como um dos parlamentares mais críticos aos grupos tradicionais da política amazonense.

Nas eleições municipais de 2012, disputou a Prefeitura de Manaus e chegou ao segundo turno contra Arthur Virgílio Neto, sendo derrotado. Posteriormente, também concorreu ao Governo do Amazonas.

O ponto de maior inflexão em sua trajetória ocorreu em 2017, quando aceitou o convite para ser candidato a vice-governador na chapa de Eduardo Braga na eleição suplementar realizada após a cassação do então governador José Melo. A coligação, intitulada “União para Tirar o Amazonas da UTI”, acabou derrotada por Amazonino Mendes.

Desde então, Marcelo Ramos afirmou em diversas entrevistas que considera aquela aliança um dos maiores erros políticos de sua carreira, sustentando que a decisão provocou desgaste junto ao eleitorado que o apoiava justamente por sua postura crítica em relação ao sistema político.

Novo rompimento

Quase uma década depois, Marcelo Ramos volta a colocar Eduardo Braga no centro de um momento decisivo de sua trajetória política. Agora, segundo o ex-deputado, o senador teria atuado diretamente para impedir sua candidatura ao Senado.

Caso a versão apresentada por Marcelo Ramos seja confirmada, o episódio revela o peso das articulações nacionais na definição das candidaturas estaduais e demonstra a influência exercida pelas principais lideranças políticas do Amazonas nas negociações partidárias.

Até o momento, não há manifestação pública da direção nacional do PT confirmando que a retirada da pré-candidatura tenha ocorrido pelos motivos apontados por Marcelo Ramos. Da mesma forma, Eduardo Braga poderá apresentar sua versão sobre as declarações.

Cenário para 2026

A disputa pelo Senado é considerada uma das mais importantes das eleições de 2026 no Amazonas. Com apenas uma vaga em disputa, as negociações entre partidos e lideranças se intensificaram nos bastidores, tornando as alianças estratégicas um fator decisivo para a formação das chapas majoritárias.

As declarações de Marcelo Ramos evidenciam o clima de tensão entre antigos aliados e reforçam que a corrida eleitoral já começou, mesmo antes do período oficial de campanha.