28.7 C
Manaus
quarta-feira, 10 de junho de 2026

Justiça eleitoral vai investigar o ex-prefeito Raylan Barroso por fraude na declaração de bens

O ex-prefeito de Eirunepé e pré-candidato a deputado estadual Raylan Barroso de Alencar (UB), será investigado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), por suposta fraude em declaração de bens oferecida a Justiça Eleitoral.

De acordo denúncia foi oferecida pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) e acatada pela juíza Julia Caimi Pasche da 011ª Zona Eleitoral de Eirunepé, Raylan omitiu informações patrimoniais relevantes em sua declaração de bens.

“Na condição de candidato e empresário experiente, com pleno domínio sobre seus bens e sobre a empresa Baltimore, da qual é sócio único e representante, Raylan teria apresentado declaração de bens omissa, evidenciando o dolo específico, consistente em omitir, para fins eleitorais, bens que deveriam ser obrigatoriamente declarados, alterando a verdade sobre o estado de seu patrimônio perante a Justiça Eleitoral”, diz o MPE.

O TRE-AM vai apurar a denúncia como falsidade ideológica eleitoral e o ex-prefeito deve apresentar documentos detalhados sobre seus bens.

Promoção pessoal e tentativa de censura

O Ministério Público Eleitoral também identificou práticas de promoção pessoal com dinheiro público. Em eventos da prefeitura, como o Dia das Mães, Raylan estampava seu nome em faixas, outdoors e materiais gráficos distribuídos à população — o que caracterizaria abuso de poder político.

Após deixar o cargo, em 2025, a gestão municipal chegou a enviar ofício tentando impedir que o ex-prefeito falasse ao vivo em uma rádio comunitária, o que foi interpretado como tentativa de censura política, sendo alvo de denúncia ao MP.

A gestão de Raylan Barroso deixou um legado de desconfiança, rombos milionários e estragos visíveis nas ruas de Eirunepé. De creches inacabadas a obras de asfaltamento fantasmas, passando por crimes ambientais e promoção pessoal com recursos da prefeitura, o ex-prefeito se tornou símbolo do que especialistas classificam como “máquina pública aparelhada para fins pessoais”.

Com as condenações administrativas e o acúmulo de investigações, Raylan pode ser enquadrado pela Lei da Ficha Limpa, ficando inelegível por até 8 anos. Enquanto a Justiça avança nas apurações, a população aguarda por respostas e pela responsabilização definitiva dos que se beneficiaram do abandono da cidade.

Raylan precisou devolver mais de R$ 5 milhões aos cofres públicos

O Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) julgou irregular a prestação de contas anual do município de Eirunepé, exercício de 2022.

As impropriedades identificadas envolvem pagamentos efetuados a pessoas e empresas com indícios de superfaturamento; aquisição de materiais cuja destinação não foi devidamente rastreada pela Administração Pública, totalizando mais de 3 milhões de reais; ausência de documentos comprobatórios que justifiquem as despesas realizadas por meio de notas de empenho; atrasos na entrega da GFIP e da Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais (DCTF); entre outras irregularidades.

Diante das impropriedades identificadas, o prefeito do município de Eirunepé à época, Raylan Barroso de Alencar, deverá devolver aos cofres públicos R$ 5.129.829,21. Além disso, o parquet de contas aplicou multas ao gestor, totalizando R$ 51.203,98. Por fim, foram expedidas determinações e recomendações à origem para que cumpra os termos da decisão, especialmente no que se refere ao envio dos documentos exigidos para a devida prestação de contas, dentro dos prazos legais.