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quarta-feira, 4 de março de 2026

Prefeitura de Manaus é cobrada pela Defensoria Pública do Amazonas, para conter erosões em áreas de risco da capital

Defensoria Especializada em Interesses Coletivos prepara laudo de engenharia para nortear medidas referentes a cinco áreas críticas, onde moradores relatam perdas e insegurança

A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) realizou, nesta terça-feira (3), uma visita a cinco áreas em risco de desabamento do bairro Mauazinho, na Zona Leste de Manaus. A equipe da Defensoria Especializada em Interesses Coletivos (DPEIC), acompanhada de técnico do setor de engenharia da DPE-AM, percorreu em trechos da rua Vitória Régia, dos becos São Francisco 2 e Ernesto Henriques, além da rua 13 do parque Jardim Mauá.

A visita vai resultar em um laudo preliminar que norteará as próximas medidas a serem tomadas pela Defensoria Pública. De imediato, a DPEIC acionou a Defesa Civil de Manaus, que monitora as ocorrências.

Nos locais visitados, as crateras avançam a cada chuva e diversas residências já foram destruídas por deslizamentos.

É o caso do aposentado Gabriel Pereira Ferreira, 72, cuja casa desabou no início deste ano, poucos dias após a família desocupar o imóvel. O itacoatiarense conta que chegou aonde hoje fica o beco Ernesto Henriques nos anos 2000. Ali, com muito suor, construiu a casa própria e criou seis filhos.

“É muito difícil você ver desabar uma coisa que você com construiu com muito sacrifício. E, sem contar que, ali a gente morava tudo junto. Os filhos perto. Era um lugar bom, abria a janela e pegava ar. Eu me sentia bem lá”, lamenta ele, que hoje está morando sozinho em um quarto alugado com auxílio-aluguel da prefeitura, enfrentando problemas de infiltração e mofo.

A realidade é semelhante para a empregada doméstica Josielma Souza, 43. Mãe solo e sem renda fixa, ela ainda vive no trecho em risco no beco São Francisco.

“Quando chove, eu não durmo. Tiro todo mundo do quarto e vamos para a cozinha. A cada chuva, cai um pedaço”, relata. Segundo Josielma, uma tubulação de esgoto danificada agrava o problema. “A água passa por debaixo da casa. Se estourar, vai levar tudo”.

Também morador do beco São Francisco, o artífice Edinaldo Alves, 45, teve que deixar o local onde viveu por 38 anos devido à iminência de um desmoronamento. “Minha casa está no limite do buraco. Se cair uma chuva mais forte, ela vai ser engolida”, disse.

Atualmente recebendo auxílio-aluguel, sua esperança reside em obras estruturais no bairro e na indenização pelos prejuízos sofridos.

Atuação da Defensoria Pública

O defensor público Carlos Almeida Filho, titular da DPEIC, destacou a gravidade da situação no Mauazinho.

“As áreas são de extremo risco e exigem atenção imediata. Mantivemos contato com a Defesa Civil Municipal, que solicitou nosso levantamento técnico. Após a identificação detalhada dos riscos, adotaremos medidas emergenciais, que podem ser tanto de atuação em campo quanto judiciais”, explicou.