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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Ano eleitoral e crise na apuração de festas tradicionais ampliam risco de mudança na Cultura

A Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas vive um dos momentos mais delicados da atual gestão. O desgaste do secretário Caio André se intensificou após a repercussão negativa envolvendo a apuração do Festival de Parintins e do Carnaval de Manaus, somando-se agora a uma forte reação pública de artistas e agentes culturais.

Na época da nomeação de Caio André a insatisfação já era amplamente discutida, cards com a frase “A cultura do Amazonas não é cabine de emprego!” passaram a circular amplamente nas redes sociais. A mobilização foi compartilhada por lideranças do setor, entre elas Geraldo dos Anjos e Pedro Cacheado, que publicou diretamente de Manaus marcando o Governo do Estado do Amazonas, após nomeação de Caio na época.

Veja:

Em uma das postagens, Pedro Cacheado direciona críticas ao governador Wilson Lima, defendendo que as decisões na área cultural devem obedecer a critérios técnicos e planejamento estratégico, e não a acordos políticos ou indicações eleitorais.

Um dos trechos mais contundentes afirma:

“Não aceitaremos que despreparo e acordos obscuros nomeiem figuras perdedoras das eleições como prêmio de consolação. Se nem a base correligionária do mesmo o quer no cargo de vereador, não serão os profissionais e artistas da cultura que o vão aceitar.”

Outro card, intitulado “Nota de Repúdio”, reforça o posicionamento:
“Não ao retrocesso! A cultura não é cabine de empregos!” O setor nunca aceitou a nomeação de Caio ao cargo.

Pressão interna e bastidores do poder

Além da insatisfação pública, a crise também ganhou contornos políticos internos. Segundo informações obtidas com exclusividade pela reportagem, o ambiente no núcleo do governo é de crescente desconforto com a condução da pasta.

Veja os vídeo nas ultimas apurações

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Entre os fatores apontados estão:
• Resistência de artistas e produtores culturais, que relatam falta de diálogo e critérios pouco transparentes;
• Denúncias de possível favorecimento na organização e distribuição de recursos;
• Confusão e questionamentos após a apuração de eventos tradicionais;
• Desgaste institucional em eventos de grande visibilidade.

Nos bastidores, uma informação chama atenção: interlocutores afirmam que o vice-governador Tadeu de Souza estaria entre os que defendem uma mudança no comando da Cultura. O motivo seria o tratamento recebido durante o último Festival de Parintins, quando, segundo relatos, ele teria enfrentado dificuldades para acesso a camarotes, precisando interceder para garantir espaço ao lado da esposa.

Embora não haja manifestação pública sobre o episódio, fontes afirmam que o episódio gerou incômodo e agravou o desgaste interno do secretário.

Ano eleitoral amplia sensibilidade

O cenário ganha ainda mais peso por se tratar de um ano pré-eleitoral. O governador Wilson Lima deve disputar uma vaga ao Senado em 2026, o que torna qualquer instabilidade administrativa um fator de risco político.

Aliados avaliam que ruídos em áreas simbólicas como cultura e festas tradicionais que carregam identidade regional têm alto potencial de repercussão negativa. O diagnóstico nos bastidores é de que a “goteira política” pode comprometer a narrativa de estabilidade da gestão.

Diante desse quadro, cresce a possibilidade de uma reestruturação na Secretaria de Cultura, com eventual saída de Caio André.