
O escândalo envolvendo o vereador Rosinaldo Bual (Agir) está longe de ser um caso isolado. Fontes da Polícia Federal (PF) e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) afirmam que outros parlamentares também estão sob investigação por envolvimento em esquemas de corrupção semelhantes, o que pode revelar uma rede mais ampla de crimes dentro da política amazonense.
De acordo com informações obtidas com exclusividade pelo Portal RealTime1, há indícios de ligações entre políticos e organizações criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) um padrão que, segundo as investigações, vem se repetindo em diversos estados brasileiros.
Esquemas de corrupção sob monitoramento
As investigações apontam que o esquema do vereador Bual, preso em operação recente do Gaeco/MP-AM, seria apenas uma das ramificações de um sistema de rachadinha e lavagem de dinheiro que se estende a outros gabinetes. Os investigadores analisam fluxos financeiros suspeitos, movimentações bancárias irregulares e possíveis doações ilícitas de campanha.
Fontes ligadas à investigação afirmam que grupos ligados ao tráfico de drogas estariam financiando campanhas de políticos locais, em troca de proteção institucional e influência em decisões estratégicas, especialmente em contratos públicos e ocupação de cargos-chave.
Bastidores: um fio que pode desmanchar o novelo
Fontes políticas ouvidas pela reportagem dizem que, se as apurações avançarem em direção a lideranças da Câmara, o impacto pode ser devastador para a atual cúpula: Davi Reis presidente da CMM e um dos líderes mais próximos à gestão de David Almeida é apontado como figura vulnerável. “Se puxar o fio, o novelo pode se desfazer e nomes importantes podem cair um por um”, afirmou um operador político.
Há, ainda, avaliação de bastidores sobre estratégias defensivas: analistas ouvidos acreditam que um investigado como Bual pode tentar compilar um dossiê com documentos e depoimentos — uma “bala na agulha” para barganhar ou se proteger. Trata-se, segundo essas fontes, de hipóteses de estratégia que costumam surgir em investigações complexas, e que ainda não foram confirmadas por documentos públicos.
Alerta sobre risco à integridade de investigados
Fontes próximas ao caso, que preferiram não se identificar, foram além: há quem acredite que Bual corre risco real de ser vítima de um “queima de arquivo”, expressão usada para descrever a eliminação física de pessoas que possam comprometer redes criminosas ou políticas. Trata-se de uma denúncia grave e sem confirmação documental; procuradas, autoridades policiais e o MP-AM não informaram, até o momento, medidas específicas de proteção ao vereador. Especialistas em segurança consultados pela reportagem alertam para a necessidade de que as forças de segurança avaliem riscos e garantam a integridade física de investigados e testemunhas.
Operação e novas fases
Rosinaldo Bual foi preso durante uma operação do Ministério Público do Amazonas (MP-AM), após denúncias de que ele mantinha funcionários fantasmas e desviava parte dos salários dos assessores prática conhecida como rachadinha.
Documentos apreendidos em seu gabinete e residência estão sendo analisados e podem revelar novas conexões entre agentes públicos e empresários ligados ao crime organizado.
Os investigadores acreditam que, com o avanço das apurações, outros nomes da política amazonense poderão ser citados. A expectativa é que uma segunda fase da operação seja deflagrada ainda neste semestre.
Padrão nacional e risco institucional
As conexões entre o crime organizado e a política vêm preocupando autoridades federais. Casos semelhantes já foram identificados em São Paulo, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul, onde facções criminosas infiltraram-se em estruturas partidárias e administrativas.
No Amazonas, a suspeita é de que o mesmo modelo de atuação esteja em curso, com políticos usando o poder público como instrumento de proteção e lucro ilícito.
Silêncio e tensão nos bastidores
Enquanto o caso ganha repercussão, o clima é de tensão na Câmara Municipal de Manaus. Parlamentares evitam comentar o assunto publicamente, e até o momento nenhum pronunciamento oficial foi feito pela Mesa Diretora sobre as novas investigações.
A prisão de Bual e a possibilidade de envolvimento de outros nomes importantes da política local colocam a gestão municipal sob alerta. A PF e o Gaeco, por sua vez, prometem aprofundar as apurações e responsabilizar todos os envolvidos.



