Vice-prefeito Robson Adriel afunda politicamente em Iranduba e não consegue impulsionar candidatura de Luana Ferraz, enquanto gestão da saúde e ligação com Silas Câmara ampliam rejeição

O vice-prefeito de Iranduba, Robson Adriel, enfrenta um momento político crítico e perde força entre lideranças e moradores, sem conseguir alavancar a candidatura da atual secretária de Saúde e primeira dama Luana Ferraz ao cargo de deputada estadual. O desgaste de Robson ocorre em um contexto de críticas à gestão da saúde municipal e da influência do deputado federal Silas Câmara (Republicanos-AM) sobre a política local um cenário que aliados afirmam ser um dos maiores fatores para a rejeição crescente do grupo político.

Desgaste político de Robson e perda de liderança

Nas últimas semanas, lideranças comunitárias e moradores de Iranduba relataram que Robson “não tem mais liderança nem na sede nem nos ramais”, incluindo acusações de enriquecimento pessoal e gestão ineficiente fatores que teriam minado sua capacidade de articular apoios e consolidar o projeto político da candidatura de Luana Ferraz. Críticos também levantam suspeitas sobre patrimônio elevado e relações de trabalho questionáveis, como a alegação de funcionário fantasma recebendo sem trabalhar e atividades sob suspeita como criação de peixes (situações que ainda carecem de investigação oficial, conforme denúncias locais e relatos nas comunidades).

A rejeição popular parece estar diretamente ligada à aproximação de Robson com o deputado Silas Câmara, figura que enfrenta desgaste público por questões internas ao partido e polêmicas em sua vida pessoal e política. Recentemente, o Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) anulou decisão que conectava irregularidades do partido diretamente ao diretório nacional ligado ao deputado, em meio ao julgamento das contas do Republicanos no estado episódio que expõe uma crise interna na legenda e pode enfraquecer ainda mais sua base política local.

Crise na saúde agrava rejeição de Luana Ferraz

O Hospital Regional Hilda Freire, em Iranduba, tornou-se símbolo do colapso da saúde pública municipal e regional. Durante diligência da Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados, capitaneada pelo deputado Amom Mandel (Cidadania-AM), foram constatadas graves falhas estruturais e operacionais na unidade: equipamentos essenciais inoperantes, reforma atrasada sem prazo definido, ausência de serviços básicos como raio-X e autoclave quebrada, além da usina de oxigênio desativada por falta de manutenção, o que força o encaminhamento de pacientes à capital.

A fiscalização destacou ainda um desabastecimento de medicamentos essenciais, afetando desde tratamentos para doenças crônicas até medicamentos controlados, e dificuldades no acesso a informações e prestação de contas de recursos federais destinados à saúde pública o que compromete a transparência e a gestão dos mais de R$ 55 milhões repassados ao município em 2025. 

Luana Ferraz, é responsável pela pasta da Saúde na gestão municipal, acumula críticas por este cenário, incluindo relatos de falta de profissionais, ausência de soluções para problemas públicos crônicos, denúncias de assédio moral contra servidores e a incapacidade de apresentar justificativas robustas ou resultados positivos diante de episódios amplamente documentados em inspeções oficiais.

Influência de Silas Câmara e desgaste político

O deputado federal Silas Câmara, presidente estadual do Republicanos e padrinho político de Robson, enfrenta um momento delicado em sua trajetória. Além do desgaste interno causado pela disputa de contas partidárias no Amazonas, a crise envolvendo sua separação pública da parlamentar Antônia Lúcia que gerou episódios tumultuados na Câmara Municipal de Rio Preto da Eva e acusações entre os dois repercute negativamente e aumenta a percepção de instabilidade política em torno de sua figura.

Apesar de ser parlamentar com longa carreira representando o Amazonas, a série de polêmicas pessoais e disputas públicas dentro de sua própria base corre o risco de refletir negativamente sobre seus aliados e ampliar a rejeição popular em municípios onde sua influência é mais direta.

Repercussão nas bases eleitorais e futuro político

Com a perda de apoio em municípios onde Luana Ferraz buscava consolidar sua candidatura, como Rio Preto da Eva e Borba, líderes comunitários observam um quadro de enfraquecimento político que pode comprometer campanhas proporcionais e futuras articulações eleitorais do grupo.

Moradores de Iranduba afirmam que “o cabo eleitoral está fraco demais para sustentar candidaturas”, e críticas crescentes sobre a gestão da saúde alimentam um sentimento de insatisfação que extrapola críticas pessoais para questionar a eficácia administrativa do grupo político que hoje tenta se reerguer nas urnas.

O cenário em Iranduba ilustra um colapso político e administrativo: um vice-prefeito sem força, uma pré-candidatura que não decola, gestão da saúde sob forte crítica e a sombra de um deputado estadual com desgaste público influenciando negativamente a percepção popular. Em um ambiente eleitoral competitivo, essa combinação pode significar uma derrota histórica para um grupo que até recentemente parecia consolidado.