
A Câmara Municipal de Manaus (CMM) ao que tudo indica, deixou de ser a “Casa do Povo”, para se tornar um espaço de obediência ao prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), que mantém uma base de apoio forte e obediente a ele.
A CMM que deveria ser independente, parece ter perdido lugar para o silêncio conveniente. Vereadores da base do prefeito – que deveriam ser os olhos e ouvidos da população, já que foram eleitos pelo povo – se transformaram em meros carimbadores de projetos, aceitando sem questionamentos as ordens vindas do Executivo.
O resultado? Uma Câmara omissa, desfigurada em sua função de fiscalização, e uma Prefeitura livre para agir sem freios e sem pudor, com interesses próprios e distante de um política pública voltada a população.
Submissão institucionalizada
Levantamentos recentes mostram que mais de 90% das matérias enviadas pelo prefeito à Câmara são aprovadas sem emendas, sem discussão e, em muitos casos, sem sequer leitura atenta do conteúdo. Projetos polêmicos que envolvem grandes contratos públicos, aumento de gastos e até doações de terrenos públicos passam como “pauta de rotina”, aprovados em sessões relâmpago com discursos prontos e aplausos ensaiados.
População sem voz, prefeito sem limite
Enquanto ruas esburacadas, postos de saúde sucateados e escolas com falta de professores se tornam realidade cotidiana, os vereadores da base preferem proteger seus cargos e manter as benesses do poder a defender os interesses da população. A prática de “fazer vista grossa” é a regra, principalmente em votações que envolvem obras milionárias, contratações sem transparência e empresas com histórico duvidoso.
Cargos e favores como moeda de troca
Nos bastidores, vereadores justificam a fidelidade ao prefeito com promessas de cargos, emendas, convênios e até licitações direcionadas a aliados. A lógica do “toma lá, dá cá” tomou conta da Casa Legislativa, onde poucos têm coragem de fazer oposição ou pedir explicações sobre gastos públicos.
Oposição é atacada, silêncio é premiado
Os poucos parlamentares que tentam exercer seu papel de oposição são ridicularizados nas sessões e têm seus pedidos sistematicamente ignorados. Enquanto isso, vereadores que mantêm a boca fechada são premiados com cargos para apadrinhados e convites para viagens financiadas por verbas públicas.
Conclusão: quem representa o povo?
A Câmara virou uma extensão do gabinete do prefeito. A pergunta que fica é: os vereadores estão lá para representar a população ou para defender os interesses do chefe do Executivo? Em tempos de crise e desconfiança nas instituições, a omissão dos legisladores é tão grave quanto os erros do gestor.


