Saúde em colapso: enquanto o Hospital Hilda Freire agoniza, primeira-dama e secretária de Saúde de Iranduba viaja em pré-campanha e mantém plano de saúde particular

A saúde pública do município de Iranduba vive uma das piores crises da sua história, com o Hospital Regional Hilda Freire, única unidade de referência para dezenas de comunidades, está em estado de abandono.

De acordo com denúncias que chegam em nossa redação, faltam medicamentos, materiais básicos e até profissionais suficientes para os plantões. Pacientes aguardam atendimento em corredores, deitados sobre colchões rasgados e manchados, enquanto familiares tentam conseguir o mínimo de cuidado para seus entes.

Servidores relatam que a precariedade se agravou nos últimos meses, coincidindo com o início da movimentação política da secretária municipal de Saúde, que também é a primeira-dama de Iranduba, Luana Ferraz, esposa do prefeito Augusto Ferraz (UB).

Enquanto o hospital enfrenta colapso e denúncias de perseguição a profissionais, a gestora tem aparecido em eventos e viagens ao interior do Estado ao lado do marido, o prefeito, em ações que têm sido interpretadas como atos de pré-campanha eleitoral.

“Falta tudo. Os pacientes esperam horas por atendimento, os médicos não têm insumos, e quem tenta falar sobre isso é punido. A secretária parece mais preocupada em aparecer nas viagens do que resolver o caos aqui dentro”, afirmou um servidor sob anonimato, temendo represálias.

Imagens enviadas ao Portal Abutre mostram o cenário de abandono no Hospital Hilda Freire: equipamentos danificados, salas sem ventilação adequada e pacientes em macas improvisadas. Segundo familiares, há dias em que nem lençóis são oferecidos e medicamentos simples como dipirona e soro fisiológico somem das prateleiras.

A indignação aumenta quando se descobre que, enquanto a população depende de um hospital sem estrutura, a secretária e primeira-dama mantém um plano de saúde particular, utilizado para consultas e exames realizados fora do município. A prática é vista como um retrato da desigualdade dentro da própria gestão, que não enfrenta na pele as consequências da má administração da saúde pública.

Além do desabastecimento e da falta de estrutura, há denúncias de afastamento de médicos e enfermeiros que denunciaram a precariedade. Um profissional foi retirado da escala após enviar um relatório formal à Secretaria de Saúde relatando risco à vida dos pacientes e falta de condições básicas de trabalho.

O Portal Abutre apurou que uma denúncia foi protocolada na Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) ainda em março, mas até o momento nenhuma resposta foi dada e a situação permanece a mesma.

Enquanto isso, as redes sociais da primeira-dama seguem ativas, mostrando viagens, eventos políticos e inaugurações com o marido, contrastando com a realidade dos pacientes do Hilda Freire, que lutam para sobreviver em um hospital que mais parece um campo de abandono.

O Portal Abutre tentou contato com a Secretaria Municipal de Saúde de Iranduba, mas não obteve resposta. O silêncio reforça a sensação de descaso e impunidade que tomou conta do sistema público de saúde do município.

A série investigativa “Poder, Favores e Silêncio: o império da saúde em Iranduba” vai detalhar nos próximos episódios como o colapso da rede pública se mistura com a política e com os interesses pessoais de quem deveria garantir atendimento digno à população.

A saúde em Iranduba agoniza, e o Hospital Hilda Freire se tornou o retrato mais cruel de uma gestão que viaja em busca de votos enquanto o povo sofre sem remédio, sem estrutura e sem esperança.