
A apresentação da ala “Neoconservadores em conserva” no Carnaval do Rio de Janeiro, no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, provocou forte repercussão política no Amazonas.
A ala, que satirizou o conservadorismo com figurinos e alegorias em formato de latas de conserva, acabou extrapolando o universo carnavalesco e entrou no debate ideológico. A crítica estética e simbólica apresentada na avenida foi interpretada por parlamentares e lideranças políticas como um ataque direto a valores religiosos e familiares.
Uso de Inteligência Artificial na reação
Em resposta, políticos do Amazonas passaram a utilizar imagens geradas por Inteligência Artificial (IA) para se posicionar publicamente contra a representação feita no desfile.
Nas redes sociais, o prefeito de Manaus, David Almeida, publicou nos stories uma imagem em que aparece ao lado da esposa, a primeira-dama Isabelle Fontenelle Almeida, dentro de uma lata de conserva. No rótulo, a frase:
“Somos uma família conservadora baseada nos princípios cristãos.”
A publicação foi interpretada como uma resposta direta à ala apresentada na Sapucaí. O conteúdo rapidamente repercutiu, dividindo opiniões entre apoiadores que classificaram a postagem como firme defesa de valores e críticos, que apontaram politização de manifestação cultural.
Debate na Câmara Municipal
O episódio também chegou à Câmara Municipal de Manaus, onde vereadores manifestaram posicionamentos sobre liberdade artística, respeito religioso e os limites da sátira no Carnaval.
Especialistas em comunicação política avaliam que o uso de IA nesse contexto revela uma nova estratégia narrativa: responder simbolicamente à crítica cultural com produção visual imediata e altamente compartilhável nas redes sociais.
Cultura x Ideologia
O caso reacende um debate recorrente: até que ponto o Carnaval — tradicionalmente marcado por crítica social e política — pode utilizar sátira ideológica sem provocar reação institucional?
Enquanto escolas defendem a liberdade criativa como parte da essência da festa, lideranças conservadoras argumentam que manifestações culturais não devem desrespeitar crenças religiosas.
A polêmica segue repercutindo e demonstra como o Carnaval, além de espetáculo, continua sendo palco de disputas simbólicas e políticas.


