
Por:Redação
Iranduba (AM) – A primeira-dama e atual secretária municipal de Saúde de Iranduba Luana Medeiros Ferraz, casada com o prefeito Augusto Ferraz, está no centro de uma crise sanitária após denúncias graves feitas por pacientes e constatadas pela Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM). As acusações apontam para o abandono e precariedade do Hospital Regional Hilda Freire, único hospital do município.
Durante uma visita técnica realizada por defensores públicos, foram identificadas falhas estruturais graves e falta de insumos básicos. O raio-x está inoperante, a usina de oxigênio permanece desativada por falta de manutenção e a autoclave — equipamento essencial para esterilização — está quebrada desde julho de 2024. Ainda foram encontrados bebedouros quebrados, ar-condicionado sem funcionamento e salas de atendimento com iluminação comprometida.
Relatos de pacientes e acompanhantes apontam para uma situação ainda mais alarmante: falta de medicamentos, lençóis, cobertores e longas esperas por atendimento. “Recebemos água quente porque o bebedouro está quebrado. Não tem lençol, nem ventilador funcionando. Parece um campo de guerra”, declarou uma paciente, que pediu anonimato.
veja os vídeos de pacientes dentro do hospital:
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A DPE-AM instaurou um Procedimento Preparatório Coletivo (PPC) para apurar responsabilidades e já articula recomendações formais à Prefeitura de Iranduba e ao Governo do Estado. A secretária de Saúde, que também é a primeira-dama, esteve presente durante a inspeção técnica, mas até o momento não se manifestou publicamente sobre as denúncias.
Um Grupo de Trabalho (GT) foi formado com participação de representantes da Secretaria de Estado da Saúde, Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), Defensoria Pública e a direção do hospital. O objetivo é elaborar e acompanhar um plano emergencial para reverter o quadro crítico.
A população, no entanto, cobra medidas urgentes. “Não adianta só fazer relatório. Precisamos de ação. Estamos falando de vidas”, afirmou um morador da zona rural do município.
A crise na saúde de Iranduba coloca em xeque a gestão de Augusto Ferraz e levanta questionamentos sobre a concentração de poder nas mãos da primeira-dama, que ocupa simultaneamente o cargo político e a chefia da pasta mais sensível do município. A Defensoria não descarta acionar o Ministério Público e demais órgãos de controle caso as irregularidades persistam.
A reportagem continuará acompanhando o caso.


