Paulo da Gasolina, vice-prefeito de Pauini, será investigado por desacatar cabo da PM que tentou impedir evento com aglomeração

O vice-prefeito de Pauini, Paulo Souza dos Santos, mais conhecido como ‘Paulo da Gasolina’, será investigado por ter desacatado e intimidado a cabo da Polícia Militar, Gelma Ferreira. Após questionar a realização de um evento esportivo que causou aglomeração no município, a cabo teria sido desacatada e mandada embora da cidade pelo vice-prefeito. Um inquérito policial foi aberto pela Polícia Civil do município para apurar o caso.

A cabo da PM conta que, no dia 5 de junho, ela estava como supervisora de área de serviço em Pauini, e ficou sabendo de um jogo de futsal aberto ao público, entre as equipes de Pauini e Lábrea, que aconteceria às 15 horas daquele mesmo dia. A policial, porém, não havia recebido nenhuma documentação que autorizasse o evento. Vale ressaltar que havia um decreto municipal em vigência com medidas restritivas para conter a circulação do coronavírus no município.

Segundo Gelma, ao questionar os responsáveis pelo evento, ninguém apresentou uma autorização, então, ela afirmou que o jogo seria cancelado por desrespeitar o decreto municipal. Com isso, os responsáveis pelo evento mandaram chamar o vice-prefeito do município que tentou coagir a cabo a autorizar a realização do evento, já que havia também investimento municipal, segundo ele.

“Mandaram chamar o vice-prefeito Paulo, que também negou autorizar o evento, mas pediu pra eu deixar rolar, pois já tinha investimento municipal no evento. Então eu informei que não deixaria. Ele pediu pra eu ser mais maleável e deixar o evento acontecer”, disse a cabo da PM.

A cabo argumentou com o vice-prefeito se ele não tinha vergonha de colocar a saúde pública do município em risco, e fazer um decreto para ninguém cumprir. “Então, ele apontou o dedo do meu rosto bem agressivo e disse segunda-feira você não estará mais nessa cidade, arrume suas malas, você será transferida. Eu dei voz de prisão por desacato e ele fugiu me xingando”, relatou a policial.

Apesar de não ter sido autorizado, o evento aconteceu e sem um policiamento efetivo a cabo ainda teve que trabalhar durante o evento na tentativa de conter a multidão.  “O efetivo era só dois policiais em serviço na cidade. Eu mesma como comandante tentando impedir o evento, não tinha efetivo o suficiente, fiz tudo que estava ao meu alcance, inclusive, para cumprir o decreto. Mas a situação saiu do controle, aglomeração de pessoas dentro e fora, nas ruas da cidade, não parei de trabalhar até dispersar toda a multidão, foi muito trabalho”, relatou a policial.

O vice-prefeito e os responsáveis pelo evento devem responder na Justiça, portanto, por ameaça de transferência por tráfico de influência, que “consiste na prática ilegal de uma pessoa se aproveitar da sua posição privilegiada dentro de uma empresa ou entidade, ou das suas conexões com pessoas em posição de autoridade, para obter favores ou benefícios para si própria ou terceiros, geralmente em troca de favores ou pagamento”.

A cabo conta ainda que, depois do evento, ela e o outro policial que estava de serviço passaram mal e ficaram gripados. Ela precisou ficar em casa se recuperando e outro policial entrou de férias. Segundo a cabo da PM, até o momento não chegou a ela nenhuma ordem de transferência do Comandante da Polícia Militar do Amazonas.

O evento foi divulgado pela própria prefeitura do município, em sua pagina oficial no Facebook, e depois apagado. “Final de semana esportivo em Pauini. A Prefeitura Municipal, por meio da Secretaria de Esportes, realizou ontem, sábado, um amistoso de futsal, na quadra Joaquim Balbino Neto, com as equipes de Pauini e Lábrea. Há dias sem registro de infecção por Covid-19, os atletas fizeram o teste antes da partida como parte do protocolo de segurança contra o vírus. O evento ainda gerou emprego e renda para dezenas de família do município”, escreveram.

Confira registros do evento: