
Por: Elson Santos
A cidade de Manaus atravessa mais uma crise em seu sistema de transporte público um velho problema que se renova a cada gestão, mas que continua sem solução concreta. A tentativa da Prefeitura de reajustar a tarifa de ônibus de R$ 4,50 para R$ 5,00, em meio a uma frota sucateada e um serviço amplamente criticado pela população, foi o estopim para protestos, críticas de parlamentares e até intervenção da Justiça.
O argumento da Prefeitura, que tenta justificar o aumento com base em “custos operacionais” e “renovação de frota”, soa como deboche para quem enfrenta, diariamente, ônibus quebrados, superlotação e atrasos. A promessa de renovação veicular permanece no papel: 52 ônibus prometidos para 2024 ainda não circulam nas ruas.
O Ministério Público do Amazonas (MP-AM), atento à movimentação, entrou com ação judicial questionando a falta de transparência no cálculo da nova tarifa. Segundo a promotora Sheyla Andrade, o contrato de concessão já obriga as empresas a manter e renovar a frota ou seja, esse custo não deveria recair sobre o bolso da população. A Justiça acatou o pedido e suspendeu o reajuste, decisão que foi posteriormente mantida pelo Tribunal de Justiça do Amazonas.
O que se vê, no entanto, é o mesmo ciclo de omissão e descaso: contratos opacos, ausência de fiscalização efetiva e uma população que paga caro por um serviço precário. Enquanto a Prefeitura empurra a responsabilidade para as concessionárias e vice-versa, quem depende do transporte coletivo segue penalizado.
Além disso, a ausência de investimento em soluções sustentáveis, como corredores exclusivos, integração eficiente e transparência na gestão do sistema, revela a falta de visão estratégica da administração municipal. O transporte público, que deveria ser tratado como direito social essencial, é gerido como mercadoria e das piores.
Isso é Manaus veja:
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As manifestações desta semana foram apenas a face mais visível de um problema crônico. Se a Prefeitura de Manaus continuar priorizando os interesses empresariais em detrimento das necessidades da população, o caos no transporte público não será apenas um transtorno será símbolo de uma cidade que parou no tempo.


