
Nos bastidores da política amazonense, uma estratégia silenciosa começa a ganhar forma e pode redefinir o tabuleiro eleitoral de 2026. O senador Eduardo Braga articula simultaneamente em duas frentes políticas distintas, tentando manter equilíbrio entre alianças que hoje caminham em direções opostas dentro da disputa estadual.
A movimentação é considerada por aliados como uma tentativa de sobrevivência política em um cenário altamente fragmentado. De um lado, Braga mantém interlocução direta com o prefeito de Manaus, David Almeida, buscando garantir acesso à estrutura administrativa da capital peça estratégica em qualquer eleição majoritária no Amazonas. Para isso, nomes de confiança do senador passaram a atuar como ponte política, entre eles Jesus Alves, apontado como um dos responsáveis pela articulação do acordo e pela interlocução entre os grupos.
O cálculo político é pragmático. Eduardo Braga enfrenta dificuldades nas pesquisas eleitorais em Manaus, principal colégio eleitoral do estado. Diante desse cenário, aliados avaliam que o senador considera indispensável o apoio da máquina municipal, mesmo diante da alta rejeição enfrentada por David Almeida. Nos bastidores, a avaliação é que Braga não pretende abrir mão dessa estrutura enquanto ela representar vantagem operacional e eleitoral.

Em contrapartida, o senador mantém sua base mais sólida no interior do Amazonas, onde apresenta maior musculatura política e melhor posicionamento nas pesquisas. Essa força interiorana permanece alinhada ao grupo político do senador Omar Aziz, sustentada por lideranças municipais e coordenada politicamente por João Campelo, prefeito de Itamarati, responsável por consolidar apoios regionais e preservar a unidade da base fora da capital.
O dilema político se torna cada vez mais evidente. Eduardo Braga ainda demonstra esperança de conseguir caminhar nos dois trilhos o de David Almeida, na capital, e o de Omar Aziz, no interior. No entanto, a distância política entre Omar e David se ampliou significativamente nos últimos meses, tornando a convivência entre os dois projetos praticamente inviável no mesmo palanque.

Nos bastidores, cresce a avaliação de que Braga trabalha contra o relógio. O senador tem até o período das convenções partidárias, previsto para abril de 2026, para anunciar oficialmente qual lado apoiará de forma definitiva. A leitura entre analistas políticos é clara: mais cedo ou mais tarde, o equilíbrio artificial tende a ruir, já que, na política, torna-se impossível sustentar simultaneamente compromissos com dois projetos divergentes.
A máxima repetida por aliados resume o momento: ninguém pode servir a dois senhores por muito tempo. Até lá, o Amazonas seguirá acompanhando um jogo político calculado, em que cada movimento pode antecipar a escolha final e redefinir o cenário eleitoral do estado.
David Almeida já deixou claro que quer Braga cem porcento do seu lado, exemplo são as exonerações de Tadeu de Souza que já começaram será se teremos exonerações do grupo de Braga na prefeitura?


