
O ex-prefeito de Manaus, David Almeida, vive aquele que pode ser considerado o período mais turbulento de sua trajetória política. Entre resultados desfavoráveis em pesquisas eleitorais, aumento da rejeição popular, desgaste de imagem e um histórico marcado por denúncias e investigações, o cenário atual tem acendido o alerta dentro do grupo político que por anos dominou parte do debate eleitoral no Amazonas.
O novo capítulo dessa crise ganhou força após a divulgação de levantamento do instituto Action, no qual David aparece nas últimas posições do cenário analisado. O desempenho foi interpretado por setores políticos como mais um sinal do enfraquecimento de sua influência eleitoral, principalmente quando comparado ao período em que comandava a Prefeitura de Manaus e mantinha forte presença política na capital.
Além da queda nas intenções de voto, outro fator que chama atenção é o avanço da rejeição. Pesquisas recentes vêm mostrando dificuldade do ex-prefeito em recuperar espaço entre o eleitorado, cenário que preocupa aliados e amplia os ataques da oposição.
Nos bastidores, a leitura é de que David enfrenta um fenômeno raro de desgaste contínuo: enquanto outros nomes oscilam entre crescimento e queda, ele aparece repetidamente com retração nos levantamentos e aumento dos índices negativos.
Analistas políticos apontam que esse desgaste não estaria ligado apenas ao cenário eleitoral atual, mas também ao acúmulo de episódios controversos ao longo dos últimos anos. O ex-prefeito carrega críticas relacionadas à sua gestão, questionamentos administrativos e um histórico de investigações e denúncias que frequentemente retornam ao debate público durante períodos eleitorais.
Outro ponto citado por observadores da política amazonense é a estratégia adotada pelo grupo de David durante a sucessão municipal. Havia expectativa de manutenção da influência política e continuidade do projeto administrativo, apostando no peso da experiência e da estrutura construída durante anos.
Entretanto, o cenário acabou tomando outro rumo.
Nos bastidores, interlocutores lembram que David teria apostado em articulações políticas contando com alianças estratégicas que, ao longo do tempo, perderam força. Entre os nomes frequentemente citados está o de Tadeu de Souza, antigo aliado político, cuja mudança de posicionamento é vista por parte do meio político como um dos fatores que impactaram os planos do grupo.
O distanciamento de antigos parceiros e a fragmentação de apoios teriam contribuído para ampliar o isolamento político enfrentado atualmente.
Mesmo diante desse cenário, David mantém movimentações políticas na capital e também no interior do Amazonas, buscando reconstruir pontes, fortalecer bases e tentar reverter a tendência observada nas pesquisas.
No entanto, o desafio cresce a cada novo levantamento.
A rejeição elevada passou a ser vista como o principal obstáculo para qualquer projeto futuro. Especialistas costumam apontar que, em disputas majoritárias, altos índices de rejeição são mais difíceis de reverter do que baixa intenção de voto, já que envolvem percepção consolidada do eleitor.
Enquanto isso, adversários exploram o momento para reforçar a narrativa de desgaste administrativo e político, transformando cada pesquisa desfavorável em munição eleitoral.
O resultado é um cenário de pressão crescente para o ex-prefeito, que vê sua imagem atravessar uma das fases mais delicadas desde sua ascensão política.
Para aliados, ainda existe espaço para reação.
Para opositores, o momento representa o aprofundamento de uma crise política que já vinha sendo construída há meses.
O fato é que, hoje, David Almeida enfrenta uma combinação difícil no tabuleiro eleitoral: queda nas pesquisas, rejeição elevada, críticas acumuladas e perda de força política — elementos que transformaram o atual momento em um verdadeiro “inferno astral” de sua trajetória pública.



