Delação foi compartilhada via Telegram Aloysio Nunes foi senador pelo PSDB e ministro das Relações Exteriores no governo Michel Temer. 
 
O ex-presidente da OAS Léo Pinheiro citou o ex-senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) como personagem central no recolhimento e coordenação de propinas em campanhas da sigla, segundo reportagem da série Vaza Jato publicada neste sábado (21.set.2019) pela Folha de S.Paulo em parceria com o portal The Intercept.
 
Segundo a Folha, a informação veio do arquivo de chats do Telegram vazado ao Intercept e compartilhado com o jornal. Procuradores da Lava Jato teriam compartilhado uma proposta de delação premiada com depoimentos de Léo Pinheiro em 1 grupo do aplicativo.
 
Eis os casos relatados na proposta de delação do ex-presidente da OAS com o ex-senador:
 
Obras em São Paulo ­– em 2005, após reunião com Léo Pinheiro e o então prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB), para discutir as obras que a OAS havia feito na cidade, Aloysio teria solicitado uma “adequação do programa” de obra para que fosse inaugurada em 1 momento mais conveniente, além do “pagamento de vantagens indevidas no valor de 5%”;
Reunião com empreiteiras – em 2007, quando Serra era governador de São Paulo, Aloysio teria pedido propina de R$ 5 milhões em reunião com representantes de 5 grandes empreiteiras;
Créditos da Carvalho Pinto – em 2010, em campanha para senador, Aloysio teria solicitado pagamento indevido de 10% em troca de créditos pendentes da OAS nas obras da Rodovia Carvalho Pinto, em São Paulo. Uma audiência para informar que a empreiteira daria continuidade às obras da linha 4 do Metrô foi acertada como “senha” para notificar o governador José Serra.
Na época, Serra tentava eleger-se presidente da República. Após a reunião, 1 acordo judicial foi acertado com a estatal Dersa para o pagamento pendente de R$ 54 milhões. Léo Pinheiro, então, fez doação oficial de R$ 2,8 milhões para a campanha de Serra e de R$ 2,5 milhões a 3 emissários do governador.
 
Além de senador de 2011 a 2019, Aloysio Nunes foi ministro das Relações Exteriores no governo de Michel Temer. Exerceu o cargo até 31 de dezembro de 2018, sem participar das eleições daquele ano. Em 2019, foi nomeado presidente da agência Investe SP pelo governador João Doria (PSDB). Pediu demissão em 19 de fevereiro, após ter sido alvo de busca e apreensão da Polícia Federal na 60ª fase da Operação Lava Jato, denominada Ad Infinitum.
OUTRO LADO
 
Aloysio Nunes respondeu à reportagem da Folha que nunca cometeu crimes e que solicitou delações oficiais da OAS a várias campanhas legalmente, “sem jamais exigir qualquer tipo de contrapartida”. Em nota oficial, adiciona: “Tudo o mais só posso atribuir à pressão psicológica exercida pelos procuradores para obter delações mentirosas de alguém há tanto tempo encarcerado”.