
O Grupo Rodrigues, conglomerado empresarial com forte atuação no Amazonas, passou a figurar no centro de investigações policiais e denúncias graves envolvendo corrupção, lavagem de dinheiro e relações perigosas com agentes públicos. O nome do grupo, antes associado apenas ao varejo e expansão econômica, hoje aparece ligado a casos de polícia e inquéritos em curso.
R$ 2,5 milhões em espécie e a Polícia Federal
Em dezembro de 2025, a Polícia Federal prendeu, em Manaus, um contador, um policial militar da Casa Militar do Governo do Amazonas e outro envolvido logo após o saque de R$ 2,5 milhões em dinheiro vivo. O episódio chamou atenção pelo volume, pela forma da movimentação e, principalmente, pelos nomes citados durante a investigação.
Em depoimento, o contador afirmou que o dinheiro teria ligação com Alexsuel da Silveira Rodrigues, empresário apontado como um dos controladores do Grupo Rodrigues. Segundo a PF, há indícios de que uma empresa de fachada teria sido usada para justificar movimentações financeiras sem lastro econômico real, prática típica investigada como lavagem de dinheiro.
O caso segue sob investigação federal, com análise de quebras de sigilo e rastreamento da origem dos recursos.
Empresário já foi preso por corrupção no interior
O nome de Alexsuel Rodrigues não é novo nos registros policiais. Em 2019, ele foi preso durante a Operação Patrinus, deflagrada para desarticular um esquema de desvio de recursos da educação em Coari, incluindo verbas do Fundeb.
A investigação apontou envolvimento de empresários, políticos e servidores públicos em fraudes, pagamentos irregulares e corrupção ativa e passiva. O caso se tornou um dos escândalos mais emblemáticos do interior do Amazonas.
Relação com o poder público levanta alertas
A presença de um policial militar ligado diretamente ao governo estadual no episódio do dinheiro vivo ampliou a gravidade do caso. O agente acabou exonerado da função, mas o episódio expôs um padrão recorrente no Amazonas: a zona cinzenta entre grandes empresários e estruturas do Estado.
Além disso, empresas ligadas ao mesmo grupo já foram citadas em disputas judiciais, ações populares e questionamentos sobre contratos e patrimônios, incluindo conflitos fundiários em Manaus.
Sem condenação, mas sob cerco
É importante registrar: não há condenação definitiva contra o Grupo Rodrigues como pessoa jurídica. Os envolvidos têm direito à ampla defesa. No entanto, o acúmulo de episódios — prisão anterior por corrupção, nova investigação por lavagem de dinheiro, uso de dinheiro em espécie e envolvimento de agente público forma um quadro que preocupa autoridades e a sociedade.
O padrão que se repete
O caso do Grupo Rodrigues não é isolado. Ele se insere em um modelo histórico do Amazonas, onde grandes empresários prosperam ao mesmo tempo em que surgem denúncias de:
•uso de empresas de fachada;
•relações promíscuas com o poder público;
•circulação de grandes volumes de dinheiro fora do sistema bancário regular;
•fragilidade na fiscalização e lentidão judicial.
Conclusão
O Grupo Rodrigues se tornou símbolo de um problema maior: quando poder econômico, política e ausência de transparência se encontram, o resultado quase sempre passa pela polícia.
Enquanto as investigações avançam, uma pergunta permanece no ar:
De onde veio o dinheiro e quem realmente se beneficia desse sistema?


