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sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Governo do Amazonas desmente prefeitura de Iranduba sobre aterro sanitário e expõe fragilidade do projeto

A crise na destinação de resíduos sólidos em Iranduba ganhou um novo e grave capítulo. O secretário de Estado de Desenvolvimento Urbano (Sedurb), Marcellus Campêlo, desmentiu publicamente informações divulgadas pela Prefeitura do município sobre a suposta construção de um aterro sanitário com apoio do Governo do Amazonas e da Caixa Econômica Federal.

Em entrevista ao Radar Amazônico, o secretário afirmou que não existe, até o momento, viabilização técnica ou financeira para a obra nos moldes anunciados pela gestão municipal. A declaração desmonta o discurso oficial da Prefeitura, que vinha sustentando a existência de um investimento de aproximadamente R$ 5 milhões para a implantação do aterro.

Segundo a versão divulgada pelo município, o empreendimento seria instalado em uma área de cerca de 40 hectares, na chamada Gleba Ariaú, localizada na entrada do km 19 da rodovia AM-070. No entanto, especialistas ouvidos pela reportagem apontam que o valor anunciado é insuficiente para a construção de um aterro sanitário que atenda às exigências ambientais e sanitárias vigentes.

Além da limitação orçamentária, técnicos alertam que o local indicado é tecnicamente inviável para esse tipo de obra, seja por questões geológicas, ambientais ou de risco de contaminação, o que pode agravar ainda mais os impactos à saúde pública e ao meio ambiente.

Veja os vídeos:

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A controvérsia teve início após declaração do secretário municipal de Comunicação de Iranduba, que afirmou que o projeto estaria sendo articulado em conjunto com o Governo do Estado e a Caixa. A negativa oficial da Sedurb, no entanto, expõe desalinhamento institucional, falta de planejamento e possível tentativa de antecipar uma solução que não existe na prática.

Enquanto isso, Iranduba segue convivendo com um lixão a céu aberto, alvo de denúncias, protestos populares e acompanhamentos do Ministério Público do Amazonas, da Defensoria Pública e de órgãos ambientais. A ausência de uma solução concreta mantém o município em situação de risco sanitário e ambiental, afetando diretamente comunidades vizinhas.

O caso reforça a necessidade de transparência, responsabilidade técnica e articulação real entre os entes públicos, sob pena de a população continuar sendo penalizada por anúncios que não se sustentam nos fatos.