
Manaus- A política anunciada pela Prefeitura de Manaus como ampliação de vagas em creches municipais tem sido classificada por professores e pedagogos como uma medida de superlotação institucionalizada. Em nota pública de repúdio, o Sindicato dos Professores e Pedagogos do Ensino Público da Educação Básica do Município (ASPROM/Sindical) denuncia que a gestão do prefeito David Almeida aumentou drasticamente o número de crianças por turma na Educação Infantil para o ano letivo de 2026, sem ampliar estruturas ou construir novas unidades.
Segundo o sindicato, o aumento foi formalizado por meio de decreto municipal e representa, na prática, uma maquiagem estatística para inflar números e sustentar o discurso de expansão da rede. O problema, apontam os educadores, é que a medida ignora critérios pedagógicos, de segurança e de cuidado essenciais à primeira infância.
Veja como ficou o novo quantitativo por turma em 2026:
• Maternal I (crianças de 1 ano):
passou de 12 para 16 crianças por sala;
• Maternal II (crianças de 2 anos):
passou de 16 para 24 crianças por sala;
• Maternal II/III (crianças de 3 anos):
passou de 20 para 30 crianças por sala.
De acordo com o ASPROM, o aumento é considerado absurdo, especialmente nos casos de crianças de 1 e 2 anos, que ainda usam fraldas, estão em fase de adaptação escolar e exigem atenção constante, cuidado individualizado e acompanhamento permanente.
Há relatos de salas pequenas com até 24 crianças de 2 anos sob responsabilidade de apenas duas professoras, situação classificada pelo sindicato como inviável. “Não há como garantir cuidado, segurança, desenvolvimento e qualidade do atendimento nesse cenário”, afirma a entidade.
Além do impacto direto sobre as crianças, o sindicato alerta para o aumento da sobrecarga e da exploração das profissionais da Educação Infantil, que passam a atuar sob pressão extrema, com risco elevado de acidentes, adoecimento físico e emocional, e comprometimento do trabalho pedagógico.
Para o ASPROM, a gestão municipal demonstra falta de planejamento e desrespeito com crianças, famílias e educadores. Em vez de investir na construção de novas creches, ampliar espaços existentes ou reduzir o número de alunos por sala, a Prefeitura teria optado por “encaixar mais crianças onde não cabe”.

“O espaço da Educação Infantil não é depósito de crianças. Criança não é número de campanha”, destaca o sindicato na nota.
Diante do cenário, a entidade exige a revogação imediata do decreto que aumentou o quantitativo por turma, o retorno aos limites praticados anteriormente e a ampliação real da oferta de vagas, sem superlotar salas de aula. O sindicato também ressalta que a Prefeitura de Manaus dispõe de recursos orçamentários suficientes para realizar investimentos estruturais na Educação Infantil.
A nota do ASPROM/Sindical é encerrada com um chamado à mobilização da categoria e da sociedade para defender os direitos das crianças e a qualidade da educação pública no município.
VEJA a nota de repúdio do sindicato



