
Por Elson Santos:
Promessas públicas, visitas da FIFA e discursos otimistas caem por terra diante da exclusão da capital amazonense do maior evento de futebol feminino do planeta.
Manaus (AM) – A ausência de Manaus entre as oito cidades-sede da Copa do Mundo Feminina de 2027, anunciada pela FIFA na última semana, expôs não apenas a negligência com a Região Norte do país, mas também a fragilidade política e a falta de articulação do deputado estadual Ednailson Rozenha (PMB), atual presidente da Federação Amazonense de Futebol (FAF) e vice-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
Durante mais de um ano, Rozenha foi categórico em suas promessas: Manaus estaria na Copa. Em julho de 2024, durante o lançamento do Campeonato Amazonense Feminino, o parlamentar afirmou em alto e bom som que a capital estava “confirmada” no evento. A garantia foi reiterada após visita técnica da FIFA à Arena da Amazônia em outubro, alimentando esperanças entre torcedores, atletas e gestores públicos locais.
No entanto, o que se viu no anúncio oficial da FIFA foi um duro golpe à credibilidade das declarações de Rozenha. Manaus ficou de fora, e o Norte do Brasil, mais uma vez, foi invisibilizado em um evento global. A justificativa da entidade máxima do futebol envolveu a necessidade de reformas estruturais na Arena da Amazônia e a ausência de centros de treinamento adequados – problemas que, se reconhecidos previamente, deveriam ter sido enfrentados com planejamento e articulação política real, não com discursos vazios.
A reação nas redes sociais e nos bastidores do esporte amazonense foi imediata. Rozenha passou de porta-voz da esperança a símbolo do fracasso. Parlamentares, jornalistas esportivos e membros da própria comunidade futebolística cobraram explicações do deputado, que até agora mantém o silêncio diante do vexame.
“A ausência de Manaus na Copa é o retrato do amadorismo na condução da pauta esportiva no estado. É inadmissível que, com um representante na vice-presidência da CBF, tenhamos ficado de fora”, afirmou um ex-dirigente da FAF, ao nosso portal Abutre.
Para muitos, a exclusão de Manaus não é apenas um erro da FIFA, mas o reflexo da falta de preparo de quem deveria lutar pelos interesses da região. Enquanto outras cidades mobilizaram esforços conjuntos – governos, federações e iniciativa privada –, o Amazonas confiou cegamente nas promessas de um político que, ao que tudo indica, confundiu influência com ilusão.

O resultado está aí: nenhuma sede no Norte, nenhuma partida em Manaus, nenhuma resposta de Rozenha.


