
A trajetória política e patrimonial de Renato Frota Magalhães (Renato Júnior) voltou ao centro do debate público após o resgate de um episódio anterior à sua entrada na política envolvendo a emissão de cheque sem provisão de fundos, além da comparação entre sua situação financeira no início da década passada e o patrimônio posteriormente declarado à Justiça Eleitoral.
O caso foi registrado no 1º Distrito Integrado de Polícia (1º DIP) da Polícia Civil do Amazonas e resultou em investigação por suposto crime de estelionato, previsto no artigo 171 do Código Penal, tendo como vítima a empresa AGK Comércio de Peças e Acessórios para Veículos Ltda (AGKAR).
Conforme o inquérito policial, Renato, então representante legal da MegaFrutas Comércio de Hortifrutigranjeiros Ltda, teria emitido um cheque de R$ 3 mil, datado de 8 de abril de 2012, sem a devida provisão de fundos.
À época, Renato exercia a função de gerente comercial da MegaFrutas, período em que, segundo informações constantes no Relatório de Vida Pregressa do Indiciado, declarou receber salário aproximado de R$ 2,2 mil e residir em casa alugada.
O documento encaminhado à Polícia Civil também registra que Renato teria admitido a emissão do cheque e informado que buscaria acordo com a empresa prejudicada, manifestando arrependimento sobre o ocorrido.
O caso chegou à Justiça do Amazonas por meio do Processo nº 0200345-40.2013.8.04.0001, porém, durante a tramitação, houve o pagamento do débito e o procedimento acabou sendo arquivado, sem condenação decorrente do episódio.
Anos depois, a situação patrimonial apresentada nos registros públicos passou a chamar atenção. Ao registrar candidatura a deputado estadual em 2018, Renato declarou aproximadamente R$ 30 mil em bens. Já em 2024, ao registrar candidatura a vice-prefeito de Manaus, apresentou patrimônio superior a R$ 3,1 milhões, incluindo imóvel residencial, terreno, aplicações financeiras e participações societárias, representando crescimento patrimonial superior a 10 mil por cento no período.
Durante sua atuação na Prefeitura de Manaus, Renato ocupou cargos estratégicos, chegando ao comando da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), pasta responsável por grandes contratos de obras e programas como o Asfalta Manaus, uma das principais iniciativas de pavimentação e infraestrutura urbana da capital.
A evolução patrimonial e as participações empresariais passaram então a gerar questionamentos públicos e políticos sobre a origem do crescimento financeiro e discussões sobre transparência patrimonial, especialmente diante da ascensão política e administrativa ocorrida nos últimos anos.
Críticos passaram a comparar o período em que Renato declarava renda modesta, moradia alugada e enfrentava processo relacionado a cheque sem fundos com a posterior evolução patrimonial e a chegada ao comando do Executivo municipal.


