
No Dia Mundial do Coração, celebrado nesta terça-feira (29 de setembro), a Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) destaca leis que estabelecem diretrizes para ações de prevenção, atendimento e cuidados com a saúde cardiovascular.
A data foi instituída pela Federação Mundial do Coração (World Heart Federation) com o intuito de conscientizar a população sobre a importância de manter hábitos saudáveis para evitar doenças cardíacas, que vitimam 17 milhões de pessoas por ano e são a principal causa de morte no mundo.
No Amazonas, a legislação estadual prevê iniciativas voltadas à prevenção, ao tratamento e à conscientização sobre o tema.
A Aleam realiza periodicamente campanhas de conscientização, por meio da distribuição de folders com orientações sobre prevenção e cuidados com a saúde cardíaca, além de palestras sobre o tema. A Casa também estabeleceu legislações com diretrizes para atendimento, visibilidade e conscientização, como a Lei Ordinária nº 3.574/2010, que instituiu a “Semana Estadual de Educação e Conscientização sobre as Doenças Cardíacas”, a partir do Projeto de Lei nº 197/2009, de autoria do ex-deputado Ricardo Nicolau.
A lei determina a realização de eventos públicos de conscientização sobre doenças cardíacas e sua importância para a saúde da população, além da implementação de serviço multimídia de comunicação com os diversos setores do Estado e organizações da sociedade afins, para a prestação de informações ao público.
A Lei Ordinária nº 6.506/2023, originária do Projeto de Lei Ordinária nº 592/2023, de autoria do deputado estadual Felipe Souza (Podemos), instituiu o Estatuto da Pessoa com Cardiopatia Congênita.
“As malformações congênitas, no geral, figuram entre a segunda e a terceira causas mais comuns de morte no primeiro ano de vida do bebê. No Brasil, 80% das crianças cardiopatas serão operadas em algum momento da vida — metade delas, quase 12 mil bebês, precisará da cirurgia no primeiro ano de vida”, ressalta o parlamentar.
Quanto aos cuidados no atendimento nas redes de saúde, a Lei Ordinária nº 5.713/2021, a partir da propositura do Projeto de Lei Ordinária nº 460/2020, de autoria da deputada estadual Mayara (Republicanos), determina a realização de exame rápido para a dosagem de troponina cardíaca no âmbito da rede pública estadual de saúde de emergência.
“A praticidade, velocidade, eficácia e custo do exame são instrumentos hábeis à adoção do mesmo como instrumento de prevenção a óbitos provenientes de doenças cardíacas”, destacou Mayara.
Foco na prevenção
Os cuidados preventivos permanecem como prioridade das ações para o enfrentamento das doenças cardiovasculares.
“O coração é um órgão muito importante devido à alta mortalidade por infarto do miocárdio, que é muito frequente, maior do que o câncer”, afirmou a cardiologista da Aleam, Carmem Nasser.
Segundo a especialista, atualmente é possível avaliar os pacientes com maior precisão e orientá-los devido aos avanços da medicina moderna.
Carmem Nasser ressalta que atualmente também é possível realizar um exame específico que não utiliza contraste, chamado escore de cálcio coronariano (CAC). Trata-se de um exame de tomografia computadorizada sem contraste que mede a quantidade de placas de cálcio nas artérias do coração para estimar o risco de infarto. “O escore de cálcio nos dá a noção se tem coronária obstruída ou não”, explicou.
Medicina preventiva, não curativa
A partir de exames clínicos, laboratoriais e de imagem, a medicina preventiva atua para evitar o surgimento de doenças, promover a saúde e identificar problemas de forma precoce, ou seja, antes do aparecimento da doença.
Fatores de risco, como hipertensão arterial, tabagismo, má alimentação e falta de atividade física, funcionam como alertas. Segundo a especialista, existem fatores de risco cardíaco controláveis e não controláveis que devem ser observados.
“É inegociável a atividade física. E, para fazer atividade física, deve fazer teste de esforço, ir ao médico para verificar se não tem cardiopatia. Os fatores de risco controláveis são: pressão, diabetes, alimentação e sono; e os não controláveis são: idade e sexo”, afirma Carmem Nasser.
“Os idosos têm infarto, mas conseguem sobreviver, e os jovens, não. Porque os idosos, com a idade, criam colaterais, têm a artéria principal como se fosse um rio e têm as pequenas colaterais. Então, se obstruir uma daquelas, o sangue passa pelas colaterais e dá para resolver. Mas pessoas de 50, 60 anos de idade têm morte súbita porque são artérias novas, que não têm colaterais. A atividade física faz criar colaterais”, alertou.


