
Por Elson Santos:
Levantamento revela possível subdeclaração de patrimônio por parlamentar amazonense que acumula salários de até meio milhão por mês
O deputado estadual Ednailson Leite Rozenha (PMB-AM), eleito em 2022 para a Assembleia Legislativa do Amazonas (ALEAM), declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio total de apenas R$ 500 mil. No entanto, investigações independentes apontam que o parlamentar ocupa, atualmente, três cargos de destaque com remunerações elevadas, além de possuir participação em uma das redes de calçados femininos mais lucrativas do Norte e Nordeste do país.
imagens e vídeos redes sociais:


Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Rozenha declarou R$ 125 mil em dinheiro vivo e uma cota de 25% na empresa Sapatinho de Luxo Participações Ltda., avaliada em R$ 375 mil. A empresa é amplamente conhecida por atuar no segmento de calçados femininos de alto padrão e possui lojas em shoppings renomados em Manaus, Belém, São Luís e outras capitais da região.
Acúmulo de cargos e supersalários
Além do mandato parlamentar, Rozenha preside a Federação Amazonense de Futebol (FAF) e, desde março de 2025, ocupa o cargo de vice-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
Fontes ligadas aos bastidores do futebol nacional apontam que o parlamentar recebe, mensalmente:
• R$ 34 mil como deputado estadual,
• R$ 200 mil como presidente da FAF,
• R$ 215 mil como vice-presidente da CBF.
A soma dos três cargos pode representar um rendimento mensal superior a R$ 449 mil, o que contrastaria com a declaração de bens feita em 2022 — e que não foi atualizada publicamente desde então.
Contradição com o estilo de vida
Apesar da declaração modesta, Rozenha exibe estilo de vida incompatível com o valor declarado. É comum vê-lo em eventos esportivos, viagens internacionais ligadas à CBF e com trajes e acessórios de marcas de alto padrão. Além disso, a loja Sapatinho de Luxo tem presença digital ativa, marketing robusto e operação de franquias, o que sugeriria uma receita empresarial substancial.

a6b6db42-9bb7-450d-a555-0ec33d694c0a
Especialistas apontam possível subdeclaração
De acordo com especialistas em direito eleitoral e transparência pública, a declaração de bens feita ao TSE é uma autodeclaração e não exige atualização com base em valor de mercado, tampouco detalhamento de faturamento de empresas. No entanto, incompatibilidades patrimoniais graves podem justificar a abertura de investigações por órgãos como o Ministério Público, Receita Federal ou o Tribunal de Contas.
“Quando um agente público declara um patrimônio muito abaixo de seu estilo de vida ou de sua capacidade de ganho conhecida, isso pode configurar omissão dolosa e ensejar investigações por enriquecimento ilícito ou improbidade administrativa”, explica um procurador que preferiu não se identificar.
Silêncio do parlamentar
Procurado pela reportagem, o deputado Rozenha não se manifestou até o fechamento desta matéria. A reportagem também buscou a assessoria da CBF e da FAF, mas não obteve retorno sobre os vencimentos dos cargos ocupados pelo parlamentar.
Próximos passos
Diante dos indícios levantados, especialistas sugerem que o caso pode ser levado ao conhecimento do Ministério Público do Amazonas (MP-AM), do MP Eleitoral e do Conselho de Ética da ALEAM, que têm competência para averiguar a veracidade das declarações e eventual conflito de interesses no acúmulo de cargos remunerados.


