
A declaração do prefeito de Manaus nessa segunda-feira no lançamento da sua pré- candidatura ao governo do Am em um hotel no distrito industrial, David Almeida, de que não houve operações da Polícia Federal em sua gestão é confrontada por registros oficiais de investigações federais que atingiram diretamente secretarias municipais e contratos da administração.
Veja o vídeo:
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Em junho de 2023, a Polícia Federal deflagrou a Operação Dente de Marfim, que apura crimes contra a ordem tributária, sonegação fiscal, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro relacionados a contratos da empresa Mamute Conservação, Construção e Pavimentação Ltda firmados com a Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp) da Prefeitura de Manaus.


Segundo a decisão judicial que autorizou mandados de busca e apreensão — processo que tramita sob segredo de Justiça — a PF estruturou a investigação em diferentes núcleos: político, empresarial, operacional, jurídico e administrativo.
No núcleo político, foram incluídos o então secretário municipal de Limpeza Pública, Sebastião Reis, conhecido como Sabá Reis, e o subsecretário Altervi de Souza Moreira. De acordo com trechos da decisão citando a Polícia Federal, Sabá Reis seria pessoa com “nítida influência”, mantendo poder de gerência mesmo fora formalmente da pasta, enquanto Altervi seguiria a linha de sucessão e, na condição de chefe da secretaria, aparentaria cumprir determinações do antecessor.



A investigação aponta que a empresa Mamute teria emitido notas fiscais e, segundo a linha apuratória da PF, haveria indícios de sonegação de tributos federais e possível pagamento de vantagens indevidas a servidores públicos municipais com recursos provenientes de contrato firmado com a Semulsp.
O nome “Dente de Marfim” é uma referência à empresa investigada, em alusão ao animal mamute.
Na sequência, também foi deflagrada a Operação Entulho, desdobramento da primeira fase, ampliando as apurações sobre possíveis fraudes fiscais, contratos milionários e movimentações financeiras consideradas atípicas envolvendo empresas prestadoras de serviço à Prefeitura.
Os relatórios investigativos ainda mencionaram contratos que somam cifras milionárias e indicaram a possível utilização de empresas para emissão de documentos fiscais sem comprovação material de fornecimento.
No curso das apurações, o nome do prefeito e de sua irmã foi citado em peças investigativas no contexto da análise de possíveis vínculos políticos e administrativos com empresas sob investigação. Não há, até o momento, sentença penal transitada em julgado contra o chefe do Executivo municipal. A legislação brasileira assegura a presunção de inocência até decisão definitiva.
O fato objetivo permanece: operações da Polícia Federal foram deflagradas durante o mandato de David Almeida como prefeito de Manaus e atingiram diretamente contratos e a estrutura da Secretaria Municipal de Limpeza Pública.
Dessa forma, a afirmação de inexistência de operações da PF durante sua gestão não encontra respaldo nos registros oficiais das ações federais realizadas no período.


