
Por: Redação
Manaus- A política do Amazonas é conhecida por alianças instáveis e bastidores tensos, mas o prefeito David Almeida parece ter elevado essa lógica a outro patamar. Depois de trair Wilson Lima, se distanciar do senador Omar Aziz e usar a estrutura do PSD para depois abandoná-la, David agora dá sinais claros de que Eduardo Braga será sua próxima vítima política. E o pivô da vez tem nome e cargo: Marcos Rotta, atual chefe da Casa Civil da Prefeitura de Manaus.
Segundo apurou o jornalista Bryan Dolzane, uma reunião entre Braga e David terminou em gritos, tensão e cobranças. O senador do MDB exigiu o cumprimento de um acordo: o apoio político de David à sua articulação em Brasília e às suas emendas parlamentares. Mas foi surpreendido por um jogo duplo: David estaria usando a eventual candidatura de Rotta à prefeitura como moeda de pressão, em troca de dois objetivos pessoais:
1. Garantir o apoio de Braga às emendas federais de interesse da Prefeitura até 2026;
2. Obter o apoio formal de Braga à sua candidatura ao governo do Estado em 2026.
O problema? Marcos Rotta não é um outsider ou alguém de fora do grupo é o atual chefe da Casa Civil da gestão de David. Ou seja, o prefeito estaria cogitando lançar seu próprio braço-direito como “plano B” eleitoral, apenas para manter Braga sob controle e, se necessário, descartá-lo da jogada.
O movimento irritou profundamente o senador, que segundo fontes presentes na reunião bateu o pé e disse que não será refém de blefes políticos. A frase ecoa o sentimento de muitos aliados de Braga, que agora avaliam que David repete um padrão perigoso de alianças descartáveis.
Um padrão conhecido: usa, escala e descarta
Esse não é um caso isolado. David Almeida já se elegeu com o apoio de Wilson Lima, rompeu com ele assim que se consolidou na prefeitura e adotou uma linha de confronto velada com o governo do Estado. Depois, se aproximou de Omar Aziz e do PSD que o apoiou, usou a estrutura partidária, mas o rompimento já é notado dentro e fora dos bastidores. Ele seduz e flertar com partidos que lhe deem mais margem de manobra para 2026.
Agora, a aproximação com Eduardo Braga mostra os primeiros sinais de desgaste, e a ressurreição política de Marcos Rotta, antes esquecido e neutralizado por David, passa a ser uma peça de chantagem institucional.
Fontes do MDB já falam em rompimento. Nos bastidores, há quem defenda que Braga endureça o jogo e pode até romper de vez com o projeto de David. Já dentro do Palácio do Município, a ordem é minimizar a crise, mas a tensão entre Casa Civil e núcleo político é visível.
Rotta, por sua vez, permanece em silêncio, mas não nega nem confirma que possa disputar o pleito de 2024. Sua simples presença no tabuleiro já funciona como instrumento de pressão contra Braga e os aliados mais antigos.
A pergunta que muitos fazem agora é: quem será o próximo a ser descartado por David Almeida? O histórico é claro: ele sobe usando aliados como trampolim, e quando o degrau se desgasta, descarta sem cerimônia. Agora, com Braga na mira e Rotta como peça-chave, David arrisca mais uma ruptura em nome de seu projeto pessoal de poder em 2026.


