
Por: Redação
Manaus- A educação pública da capital amazonense vive um de seus momentos mais sombrios. Sob a gestão do prefeito David Almeida (Avante) e com a Secretaria Municipal de Educação (Semed) comandada por Júnior Mar, a cidade amarga a exclusão dos repasses do Fundeb-VAAR em 2025 reflexo de falhas administrativas, descaso com a gestão democrática, falta de transparência e abandono das políticas educacionais estruturantes.
O cenário se agrava com a proposta rebaixada e humilhante de reajuste salarial de apenas 5,48% oferecida aos professores da rede municipal, que será deliberada em Assembleia Geral Extraordinária convocada pelo sindicato ASPROM/SINDICAL neste sábado, 31 de maio, às 9h, no Centro Pastoral da Igreja do Rosário, na Cidade Nova (Núcleo 13).

Uma proposta que insulta a categoria
A proposta do Executivo municipal não cobre sequer as perdas inflacionárias acumuladas e ignora o papel central dos profissionais da educação pública. Os professores enfrentam salas superlotadas, ausência de estrutura, plano de carreira defasado, e políticas públicas ineficazes, mas ainda assim, seguem em sala de aula com compromisso e dedicação.
A categoria reivindica, com base no acúmulo de anos de descaso, um reajuste de 10%, além da revisão integral de benefícios e direitos sistematicamente negados pela atual gestão. Entre os principais pontos da pauta da data-base 2025 estão:
• Reajuste de 100% no auxílio-alimentação e no auxílio-transporte (inclusive para quem atua em carga dobrada);
• Retorno da Gratificação da Prática Docente ao vencimento básico e elevação da gratificação para 30%;
• Imediata revisão do PCCR e agilidade nas progressões horizontais e verticais;
• Criação de leis para regulamentar o uso dos recursos do Fundeb e implementar corretamente a jornada HTP conforme a Lei 11.738/2008;
• Concursos públicos para professores, pedagogos, psicólogos, assistentes sociais e professores mediadores especializados;
• Computadores em todas as salas de aula e estrutura mínima para cumprimento do Diário Digital;
• Eleição direta para gestores escolares e pedagogos em todas as escolas e turnos.
Ao todo, são 24 reivindicações estruturantes, todas ignoradas ou engavetadas pela atual gestão. Não se trata apenas de uma disputa por reajuste salarial, mas por respeito, dignidade e condições mínimas de trabalho.

Desgoverno, aparelhamento e exclusão do Fundeb
A situação da Semed não surpreende. A ex-secretária Dulcineia Almeida, irmã do prefeito, foi investigada por uso político da máquina pública nas eleições de 2024. A nomeação de Júnior Mar no seu lugar representou apenas a continuidade do aparelhamento político da pasta, sem qualquer sinal de mudança efetiva na condução da educação.
Em 2025, Manaus ficou de fora do repasse do Fundeb-VAAR, principal mecanismo de complementação da União para municípios que investem em qualidade e equidade. O Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) apontou falhas gravíssimas na gestão, como:
• Inoperância dos Conselhos Municipais do Fundeb;
• Falta de transparência e envio de dados aos sistemas SIOPE e SIMEC;
• Ausência de indicadores de melhoria na aprendizagem;
• Não cumprimento de metas mínimas exigidas pelo Ministério da Educação.
Veja o vídeo da convocação abaixo
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A perda de mais de R$ 53 milhões em recursos federais prejudica diretamente os estudantes mais vulneráveis e a estrutura de toda a rede municipal, já sobrecarregada e negligenciada.
Professores resistem. Prefeitura ignora.
Enquanto o prefeito e a Semed investem em propaganda institucional, a realidade nas escolas é de abandono, adoecimento docente e desvalorização constante. A Assembleia deste sábado será decisiva: aceitar ou rejeitar a proposta do prefeito. A tendência é de rejeição em massa.
“Quando um prefeito oferece 5,48% de reajuste e ignora uma pauta de 24 itens básicos, ele não está apenas desvalorizando o servidor, mas escolhendo conscientemente falhar com toda uma geração de estudantes”, declarou uma liderança da ASPROM/SINDICAL.
A crise da educação pública em Manaus tem responsáveis claros. David Almeida e sua gestão na Semed transformaram uma rede com potencial em um laboratório de desmonte educacional, onde a valorização do magistério é mera retórica e o planejamento pedagógico cede lugar ao improviso e ao abandono.


