Áudios revelam suposto esquema de propina envolvendo delegados, promotor e juíz no Pará

Áudios obtidos no curso de uma investigação do Ministério Público revelam um suposto esquema de corrupção envolvendo delegados de polícia, advogados, assessores, um promotor de Justiça e um juiz no estado do Pará. As gravações, divulgadas inicialmente pelo portal Agora Alagoas, trazem a frase “estamos ricos pra caralho”, atribuída a um dos investigados, e indicam a existência de cobranças ilegais para manipulação de atos judiciais.

Áudios:

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De acordo com as apurações, estariam envolvidos o delegado Carlos Daniel Fernandes de Castro, à época diretor metropolitano da Polícia Civil, além de outros delegados, advogados e assessores. Também é citada a promotora Juliana Dias Nobre, esposa de Arthur Nobre, ambos mencionados no contexto das investigações.

Segundo o Ministério Público, há indícios de cobrança de propina em processos de dívidas cíveis, influência indevida em casos de acidentes de trânsito e até em situações relacionadas a jogos de apostas. Os pagamentos teriam como objetivo direcionar decisões e despachos judiciais em benefício de interessados.

Um relatório detalhado com 552 páginas foi encaminhado pela Procuradoria-Geral de Justiça ao Tribunal de Justiça do Pará. O caso tramita em segunda instância, justamente por envolver membros do sistema de Justiça. Para aprofundar as investigações, foram autorizadas medidas como afastamento de autoridades, quebra de sigilo bancário e fiscal e buscas relacionadas aos investigados.

Como resultado das primeiras decisões judiciais, dois delegados e o promotor Luiz Márcio Teixeira Cypriano foram afastados de suas funções. O juiz Jackson Sodré Ferraz também é citado nas apurações, tendo sido autorizadas quebras de sigilo envolvendo familiares.

Em nota, o Ministério Público afirma que as investigações seguem em andamento e que trabalha para responsabilizar todos os envolvidos, caso as irregularidades sejam confirmadas, sempre respeitando o devido processo legal e a presunção de inocência.

O caso é considerado de alta gravidade por atingir diretamente instituições responsáveis pela aplicação da lei e pelo combate à corrupção, e pode resultar em sanções administrativas, cíveis e criminais, conforme o avanço das apurações.