26.3 C
Manaus
sábado, 31 de janeiro de 2026

Assembleia de Deus e Fundação Boas Novas são citadas por Damares Alves na CMPI do INSS

A senadora Damares Alves (Republicanos/DF), mencionou durante audiência da Comissão Mista Parlamentar de Inquérito (CMPI) do INSS, a Igreja Assembleia de Deus do Amazonas e a Fundação Boas Novas, como possíveis instituições que receberam movimentações financeiras envolvendo fraudes aos aposentados.

De acordo com a senadora, documentos analisados pela CPMI mencionam as instituições ligadas ao pastor Jonatas Câmara, irmão do deputado federal Silas Câmara (Republicanos/AM).

Damares disse que a apuração não tem o caráter religioso, mas institucional e afirmou que a Assembleia de Deus consta nos documentos entregues à comissão. “Além das instituições que divulguei, há menções à Assembleia de Deus do Amazonas, que já forneceu os dados solicitados e agora aguarda a análise do colegiado”, informou a senadora.

Por conta dos nomes da Assembleia de Deus e da Fundação Boas Novas, o deputado Silas Câmara passou a criticar a senadora Damares por conta das investigações.

“Nós estamos identificando igrejas nos esquemas de fraudes aos aposentados. Quando se fala de líderes religiosos, há uma pressão para que não se investigue, como se a fé estivesse acima da lei”, disse Damares.

Ainda segundo a senadora, a eventual participação de igrejas ou lideranças religiosas em esquemas de fraude no INSS causa profundo desconforto, diante do papel social e espiritual dessas instituições, mas a CPMI tem o dever constitucional de apurar os fatos com responsabilidade, imparcialidade e base documental.

Em novembro de 2025, a CPMI do INSS mostrou que mais de R$ 300 mil foram repassados pelo presidente da CBPA, Abraão Lincoln Ferreira, a empresas vinculadas a familiares do deputado Silas Câmara.

Parte dos recursos chegou à Fundação Boas Novas (R$ 11 mil), ao filho Heber Tavares Câmara (R$ 37 mil), à filha Milena Câmara (R$ 146 mil) e ao próprio Silas (R$ 9 mil).

Durante o depoimento de um empresário investigado por supostos esquemas de intermediação de benefícios previdenciários, o relator da CPMI questionou se o depoente conhecia o pastor Jonathas Câmara e se houve repasse de recursos ou doações destinadas à Fundação Boas Novas, instituição ligada à igreja e presidida pelo pastor. O repasse seria de milhares de reais para a família câmara, Silas Câmara deputado federal ( Republicano) Hebert Tavares Câmara, Jonathas Câmara e Milena Câmara advogada.

Segundo trechos da oitiva, o relator buscava esclarecer possíveis ligações financeiras e políticas entre entidades religiosas e pessoas envolvidas em fraudes previdenciárias no Amazonas. A Fundação Boas Novas, responsável por emissoras de rádio e TV mantidas pela Assembleia de Deus, foi citada como possível beneficiária de doações de origem não esclarecida.

O depoente, ao ser indagado, ficou em silêncio. Mesmo assim, os parlamentares afirmaram que vão aprofundar as investigações sobre o fluxo de doações para entidades ligadas a lideranças religiosas, especialmente aquelas que mantêm contratos, convênios ou isenções públicas.

Nos bastidores da CPMI, a menção ao nome de Jonathas Câmara repercutiu com destaque, em razão da projeção política e influência do líder religioso em pautas que envolvem parlamentares evangélicos da bancada amazonense.

Até o fechamento desta matéria, Jonathas Câmara não havia se manifestado sobre a citação feita durante a comissão. A Fundação Boas Novas também não emitiu nota oficial.

A CPMI do INSS segue ouvindo testemunhas e investigando possíveis esquemas de corrupção, falsificação de documentos e desvio de recursos públicos em agências previdenciárias de todo o país.