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domingo, 18 de janeiro de 2026

Após ser vacinado contra a Covid-19, capitão Alberto Neto incentiva uso de medicamento sem eficácia comprovada contra a doença

Após ser vacinado contra a Covid-19, o deputado federal, capitão Alberto Neto (Republicanos) continua incentivando a população ao uso do antiparasitário Ivermectina, medicamento sem eficácia comprovada como ‘tratamento precoce’ contra a Covid-19.

No último dia 23 de junho, em uma publicação em suas redes sociais, o deputado fez questão de repassar um estudo em fase inicial da Universidade de Oxford, sugerindo que pesquisadores haviam confirmado a eficácia da Ivermectina, quando na verdade eles iniciaram apenas um estudo piloto.

Nesta semana, o resultado do estudo foi publicado na mais importante revista científica de infectologia, a Clinical Infectious Diseases, da Oxford University Press, e derrubou de vez o uso do medicamento como tratamento de Covid.

Os pesquisadores fizeram uma revisão sistemática de artigos já publicados, e concluíram que o medicamento não muda o curso da doença. De acordo com o médico infectologista Alexandre Naime Barbosa, o estudo deixa claro o que já se sabia: “Usar ou não usar a ivermectina não muda a história natural da doença, não previne casos graves”.

Por outro lado, o uso da ivermectina pode causar lesões permanentes no fígado. Há relatos no Brasil de pessoas que fizeram uso da droga na esperança de se proteger da covid-19 e precisaram entrar na fila de transplante hepático.

Mas, o deputado, sem responsabilidade alguma com a saúde da população continua espalhando Fake News em suas redes sociais, e influenciando seus seguidores a um tratamento sem eficácia. O ‘tratamento precoce’ com medicamento indicado pelo deputado é tão “bom” que só não salvou a vida de mais de meio milhão de brasileiros que perderam a vida por conta da doença.

“Coleguinha, coloca a mensagem correta. Está em TESTE. Na primeira fase. Isso não quer dizer que será possível a cura dela pra Covid. Você, como nova política, está sendo decepcionante”, escreveu uma seguidora do deputado no dia da publicação. Vale ressaltar que o resultado já saiu esta semana e não comprovou a eficácia do medicamento.

“E detalhe o teste feito foi com uma dose maior que a utilizada em humanos, e em conjunto com outro medicamento e não com azitromicina e cloroquina como queriam enfiar no rabo dos brasileiros. Eles colocam notícia incompleta e os ignorantes que não gostam de ler ou pesquisar acreditam e ainda compartilham”, completou outra seguidora.