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terça-feira, 7 de abril de 2026

Alunos em risco por conta da péssima infraestrutura dos ramais de Iranduba

Alunos das escolas municipais da zona rural de Iranduba estão correndo risco de vida ou mesmo de perder o ano letivo, por conta das péssimas condições das vicinais o município.

Nesta segunda-feira (06/04), um vídeo compartilhado nas redes sociais mostram a situação precária que se encontra o quilômetro 26 da Rodovia AM-070, onde um ônibus escolar ficou atolado na lama.

Os moradores da Comunidade Morada do Sol registraram o momento em que o ônibus que levava crianças para escola, fica atolado e as aulas precisaram ser suspensas por conta do acidente.

Por conta dessa falta de infraestrutura, o prefeito Augusto Ferraz (UB) foi novamente cobrado pela população indignada com a situação precária das vias do município.

“Olha a situação da nossa estrada. Não tem condição de trafegar. Os ônibus escolares estão parados e as aulas também”, disse uma mulher.

“Estamos colocando nossos filhos em risco. Não temos uma estrada digna, mesmo pagando nossos impostos”, comentou.

“Cadê os órgãos responsáveis? Cadê o prefeito? Cadê o governo? Quando é para pedir voto, todos aparecem, mas agora ninguém resolve”, cobrou providências.

Iranduba tem recursos mas Ferraz sumiu com ele

O município de Iranduba recebeu, nos últimos anos, milhões de reais em emendas parlamentares destinadas à infraestrutura urbana e à saúde pública. Os recursos foram indicados pelos senadores Eduardo Braga e Omar Aziz e constam nos registros oficiais do Portal da Transparência. No entanto, a situação enfrentada por moradores de bairros como Cacau Pirêira, Nova Veneza e áreas adjacentes contrasta com os valores anunciados.

Os dados apontam que Eduardo Braga destinou mais de R$ 40 milhões ao município em diferentes exercícios orçamentários, com previsão para pavimentação de vias urbanas, drenagem profunda e superficial, construção e reforma de equipamentos públicos, aquisição de máquinas e fortalecimento da assistência social. Já Omar Aziz aparece com aproximadamente R$ 7,6 milhões destinados à pavimentação do Ramal do Creuza, considerado estratégico para mobilidade e escoamento da produção.

Além da infraestrutura, parte das emendas também foi direcionada para a saúde municipal, por meio de incrementos ao Sistema Único de Saúde, com foco em custeio da atenção básica e manutenção da rede pública.

Apesar dos valores registrados como empenhados ou pagos nos sistemas federais, moradores relatam ruas sem pavimentação adequada, ausência de drenagem eficiente, alagamentos frequentes no período chuvoso e poeira intensa durante o verão. A percepção local é de que a infraestrutura não acompanhou o volume de recursos oficialmente destinados.

Especialistas em orçamento público destacam que, após a liberação da emenda parlamentar, a execução é de responsabilidade do Poder Executivo municipal. Cabe à prefeitura realizar licitação, contratar empresas, fiscalizar os serviços e prestar contas. Ou seja, o fato de o recurso constar como pago pela União não significa automaticamente que a obra foi concluída conforme o projeto original.

É nesse ponto que surge o questionamento político direcionado à gestão municipal: se os recursos foram destinados e liberados, por que parte significativa da população ainda convive com infraestrutura precária? Houve reprogramação de verbas? As obras foram executadas integralmente? Existe relatório técnico comprovando a entrega dos serviços?

A cobrança recai diretamente sobre a administração local, liderada pelo prefeito Augusto Ferraz, responsável pela execução das emendas no município. A população quer respostas claras, com números, contratos, empresas executoras e cronogramas físicos-financeiros detalhados.