
Alunos das escolas municipais da zona rural de Iranduba estão correndo risco de vida ou mesmo de perder o ano letivo, por conta das péssimas condições das vicinais o município.
Nesta segunda-feira (06/04), um vídeo compartilhado nas redes sociais mostram a situação precária que se encontra o quilômetro 26 da Rodovia AM-070, onde um ônibus escolar ficou atolado na lama.
Os moradores da Comunidade Morada do Sol registraram o momento em que o ônibus que levava crianças para escola, fica atolado e as aulas precisaram ser suspensas por conta do acidente.
Por conta dessa falta de infraestrutura, o prefeito Augusto Ferraz (UB) foi novamente cobrado pela população indignada com a situação precária das vias do município.
“Olha a situação da nossa estrada. Não tem condição de trafegar. Os ônibus escolares estão parados e as aulas também”, disse uma mulher.
“Estamos colocando nossos filhos em risco. Não temos uma estrada digna, mesmo pagando nossos impostos”, comentou.
“Cadê os órgãos responsáveis? Cadê o prefeito? Cadê o governo? Quando é para pedir voto, todos aparecem, mas agora ninguém resolve”, cobrou providências.
Iranduba tem recursos mas Ferraz sumiu com ele
O município de Iranduba recebeu, nos últimos anos, milhões de reais em emendas parlamentares destinadas à infraestrutura urbana e à saúde pública. Os recursos foram indicados pelos senadores Eduardo Braga e Omar Aziz e constam nos registros oficiais do Portal da Transparência. No entanto, a situação enfrentada por moradores de bairros como Cacau Pirêira, Nova Veneza e áreas adjacentes contrasta com os valores anunciados.
Os dados apontam que Eduardo Braga destinou mais de R$ 40 milhões ao município em diferentes exercícios orçamentários, com previsão para pavimentação de vias urbanas, drenagem profunda e superficial, construção e reforma de equipamentos públicos, aquisição de máquinas e fortalecimento da assistência social. Já Omar Aziz aparece com aproximadamente R$ 7,6 milhões destinados à pavimentação do Ramal do Creuza, considerado estratégico para mobilidade e escoamento da produção.
Além da infraestrutura, parte das emendas também foi direcionada para a saúde municipal, por meio de incrementos ao Sistema Único de Saúde, com foco em custeio da atenção básica e manutenção da rede pública.
Apesar dos valores registrados como empenhados ou pagos nos sistemas federais, moradores relatam ruas sem pavimentação adequada, ausência de drenagem eficiente, alagamentos frequentes no período chuvoso e poeira intensa durante o verão. A percepção local é de que a infraestrutura não acompanhou o volume de recursos oficialmente destinados.
Especialistas em orçamento público destacam que, após a liberação da emenda parlamentar, a execução é de responsabilidade do Poder Executivo municipal. Cabe à prefeitura realizar licitação, contratar empresas, fiscalizar os serviços e prestar contas. Ou seja, o fato de o recurso constar como pago pela União não significa automaticamente que a obra foi concluída conforme o projeto original.
É nesse ponto que surge o questionamento político direcionado à gestão municipal: se os recursos foram destinados e liberados, por que parte significativa da população ainda convive com infraestrutura precária? Houve reprogramação de verbas? As obras foram executadas integralmente? Existe relatório técnico comprovando a entrega dos serviços?
A cobrança recai diretamente sobre a administração local, liderada pelo prefeito Augusto Ferraz, responsável pela execução das emendas no município. A população quer respostas claras, com números, contratos, empresas executoras e cronogramas físicos-financeiros detalhados.


