
Por: Redação
Manaus- A dor de perder uma mãe foi agravada pela indignação. Os filhos de Joana Souza de Lira, de 62 anos, mulher morta de forma trágica ao ser atropelada por um carro desgovernado empurrado por um morador de rua, publicaram uma carta aberta em que repudiam veementemente a maneira como parte da imprensa local tratou o caso e cobram responsabilidade da Prefeitura de Manaus pelo abandono da área onde tudo aconteceu.
O caso ocorreu no bairro Jorge Teixera, Zona Leste da capital , na Avenida Hilário Guejão de 15 de Maio, em uma área conhecida pelos moradores como “lixeira viciada” um ponto recorrente de acúmulo de lixo devido à ausência de serviço público regular de coleta. Segundo a família, a comerciante Joana estava no local porque, como outros moradores, era forçada a lidar com a negligência do poder público.
“Se tivesse um local seguro para se jogar o lixo e se o carro do lixo passasse regularmente, não teria acontecido isso”, desabafou um dos filhos. “É culpa da Prefeitura, que não faz seu serviço.”
Mídia distorce fatos, afirma família
O sentimento de revolta se agravou após a publicação de reportagens e vídeos em canais digitais e televisivos, segundo os familiares, os canais de mídia insinuaram que a vítima teria tido um tipo de participação no ocorrido como se houvesse uma discussão ou provocação entre ela e o morador de rua “ alimentos ou merenda negado por Joana” o vídeo, testemunhas e família mostra o contrário.
Em carta aberta divulgada no dia 17 de maio de 2025, os filhos de Joana contestam essa narrativa e exigem uma retratação pública dos veículos que, segundo eles, divulgaram “notícias falsas que difamaram a honra e a memória” da mãe. O documento ressalta que não houve qualquer contato verbal ou visual entre a vítima e o autor do crime, como mostram vídeos do momento da tragédia.
“A nossa mãe foi vítima de um crime violento e cruel, sem direito à defesa. Ela era uma mulher honesta, respeitada e generosa. Ver seu nome manchado por uma narrativa distorcida é uma dor ainda maior para nós”, diz o texto assinado por Marijane, Maria de Fátima, Flávio, Rosemary, Raquel e Renato, filhos de Joana.
veja o vídeo:
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“Ela morreu porque o Estado falhou com ela”
A tragédia, segundo moradores e familiares, poderia ter sido evitada. A região onde Joana morreu sofre há anos com a ausência de lixeiras públicas e a coleta irregular. O acúmulo de lixo leva os moradores a utilizarem calçadas e esquinas como depósitos improvisados, expondo-se a riscos sanitários e, como neste caso, a situações perigosas.
fotos da lixeira viciada:

“A nossa mãe não morreu por acaso. Ela morreu porque o Estado falhou com ela”, afirmam os filhos na carta, cobrando providências da Prefeitura e das autoridades responsáveis pelo sistema de limpeza urbana em Manaus.
Prefeitura em silêncio
Até o momento, a Prefeitura de Manaus não se pronunciou sobre o caso. A ausência de coleta em áreas periféricas da cidade tem sido alvo de críticas constantes, especialmente em bairros da Zona Leste. Moradores cobram fiscalização, instalação de lixeiras e regularização do serviço.
Enquanto isso, a família de Joana luta para preservar sua memória e transformar a dor em um grito por justiça. “Não aceitaremos que culpem a vítima para esconder a omissão do poder público. Exigimos respeito, justiça e mudanças”, concluem os filhos.
A Carta:



