
O prefeito de Manaus enfrenta um cenário de desgaste que analistas políticos locais classificam como “tríplice rejeição”: eleitoral, institucional e política. O contexto amplia o grau de dificuldade para qualquer projeto majoritário futuro, especialmente uma eventual candidatura ao Governo do Amazonas em 2026.
Rejeição eleitoral e desgaste administrativo
Levantamentos recentes de institutos de pesquisa indicam índices elevados de desaprovação da gestão municipal, com números que giram em torno de 80% de rejeição, segundo avaliações divulgadas no cenário político local.
Entre os principais pontos levantados por críticos da administração estão:
• Infraestrutura urbana considerada precária, com ruas esburacadas e registros de acidentes;
• Alagamentos recorrentes durante o período chuvoso, apesar de investimentos anunciados em drenagem;
• Questionamentos sobre a eficácia de equipamentos tecnológicos adquiridos para enfrentamento de enchentes;
• Crise na educação municipal, marcada por embates entre a gestão e professores;
• Problemas persistentes no transporte coletivo;
• Críticas quanto a gastos com eventos e festividades em meio a dificuldades estruturais da cidade.
Esse conjunto de fatores tem alimentado o discurso de opositores que classificam a gestão como uma das mais mal avaliadas do país, ampliando o desgaste perante o eleitorado.
Tensão institucional e embates públicos
No campo institucional, o ambiente de tensão se intensificou após declarações do prefeito sobre a prisão de sua assessora, Anabela Freitas, no âmbito da Operação Erga Omnes.
Ao comentar o caso, o prefeito afirmou que a Justiça teria cometido erro ao autorizar a medida e criticou a atuação da Polícia Civil do Amazonas e do delegado responsável pela investigação. As declarações repercutiram negativamente em setores jurídicos e institucionais, gerando debate sobre o respeito à autonomia dos órgãos de controle e persecução penal.
Processos eventualmente existentes envolvendo o prefeito seguem tramitação regular perante o Tribunal de Justiça do Amazonas, com participação do Ministério Público do Estado do Amazonas quando cabível, observando-se o devido processo legal e a presunção de inocência.
Especialistas avaliam que embates públicos com instituições podem ampliar o desgaste político, sobretudo em um ambiente já marcado por alta desaprovação popular.
Rejeição política e dificuldade de alianças
No campo das articulações partidárias, analistas apontam dificuldades históricas na manutenção de alianças duradouras. Ao longo da carreira, o prefeito rompeu politicamente com lideranças relevantes do estado, entre elas:
• Omar Aziz
• Wilson Lima
• Tadeu de Souza
Tais rompimentos são frequentemente citados por adversários como indicativos de instabilidade política e dificuldade de consolidação de compromissos de longo prazo.
No meio político, há quem sustente que credibilidade e previsibilidade são ativos essenciais para a construção de alianças majoritárias. Nesse contexto, opositores afirmam que o prefeito enfrenta maior isolamento em determinados segmentos da classe dirigente estadual.
Críticas no campo político e moral
Episódios de vaias em agendas públicas e o volume expressivo de críticas nas redes sociais também vêm sendo apontados como sinais de desgaste de imagem perante parcela do eleitorado.
Outro ponto explorado por opositores diz respeito ao uso frequente de referências a tragédias pessoais em discursos oficiais. Críticos entendem que tais menções passaram a integrar a narrativa política da gestão, enquanto aliados sustentam que se trata de manifestações legítimas de trajetória pessoal e superação.
As recentes declarações do prefeito questionando decisões judiciais e criticando órgãos de investigação ampliaram o debate público sobre os limites da retórica política quando direcionada a instituições de controle.
Cenário para 2026
Diante desse conjunto de fatores — alta rejeição popular, tensão institucional e dificuldades de articulação política — analistas avaliam que uma eventual candidatura ao Governo do Amazonas enfrentaria obstáculos significativos.
Ainda assim, o cenário eleitoral é dinâmico. Movimentações partidárias, desempenho administrativo nos próximos meses e o desfecho de eventuais processos judiciais poderão influenciar diretamente o ambiente político.
O fato concreto é que a atual gestão municipal atravessa um período de forte pressão, com impactos diretos na imagem pública e no capital político do prefeito.


