
Por: Elson Santos
A confirmação de Maria do Carmo como pré-candidata ao governo do Amazonas em 2026, com apoio direto do ex-presidente Jair Bolsonaro, da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e da cúpula nacional do PL, representa um movimento calculado para consolidar o bolsonarismo no estado. Mas também acende alertas internos: o silêncio do vereador Rosses e do deputado estadual Delegado Péricles ambos nomes fortes do PL no Amazonas pode sinalizar um racha ou, no mínimo, desconforto com a forma como a decisão foi conduzida.
Imposição de cima para baixo?
Ao que tudo indica, a pré-candidatura de Maria do Carmo foi definida pela cúpula do PL nacional sem passar pelo crivo do diretório estadual. O presidente do partido, Valdemar Costa Neto, tem seguido uma linha clara de fidelidade a Bolsonaro e tenta repetir no Amazonas a fórmula usada em outros estados: impor nomes considerados “de confiança” para disputar cargos majoritários, mesmo que isso contrarie lideranças locais.
Michelle Bolsonaro também teria influenciado diretamente na escolha de Maria do Carmo, como parte da estratégia para ampliar a presença feminina nas eleições de 2026. O apoio de Alfredo Nascimento reforça ainda mais esse alinhamento, unindo forças do bolsonarismo tradicional com figuras que detêm estrutura partidária e experiência eleitoral.
O silêncio que incomoda
Enquanto o deputado federal Capitão Alberto Neto até então pré-candidato ao Senado demonstrou maturidade política ao parabenizar publicamente Maria do Carmo em seu Instagram, Rosses e Péricles optaram pelo silêncio. A ausência de qualquer manifestação, tanto em redes sociais quanto por assessoria, não passou despercebida nos bastidores.
O gesto pode ser interpretado como descontentamento com a condução do processo, ou até mesmo como uma manobra estratégica: aguardar a repercussão popular e avaliar se o nome de Maria do Carmo terá densidade eleitoral suficiente para sustentar uma candidatura competitiva.
O desafio de unificar a direita
A escolha de Maria do Carmo coloca em xeque a capacidade do PL de manter sua base unida no Amazonas. O partido tem, hoje, três nomes de peso no estado: Capitão Alberto Neto, Delegado Péricles e Rosses. A exclusão desses atores de uma decisão estratégica como a definição da cabeça de chapa pode gerar desmobilização ou até mesmo dissidência interna.
Por outro lado, o grupo de Maria do Carmo aposta no apoio irrestrito de Bolsonaro como trunfo para atrair o eleitorado conservador e consolidar a pré-campanha sem ruídos. A narrativa da “candidata escolhida por Bolsonaro” deve ser usada intensamente nos próximos meses.
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A relação entre Rosses e o governador Wilson Lima (UB), que já foi de proximidade, deteriorou-se rapidamente após um episódio pouco conhecido do público, onde o vereador tentou fazer lobby para emplacar uma empresa árabe de armamentos como fornecedora do Estado.
Segundo fontes do alto escalão do PL, Rosses atua como “representante informal” da empresa estrangeira, pressionando pela assinatura de contratos com a área de segurança pública. O governador Wilson Lima, porém, teria recusado a indicação, o que gerou um rompimento silencioso entre Rosses e o núcleo político do governo.
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A leitura de analistas locais é clara: se a crise não for contida, o PL entrará em 2026 dividido. De um lado, Alfredo e Maria do Carmo; do outro, o trio Rosses-Péricles-Alberto


